2004 é definitivamente o ano da confirmação e reconhecimento internacional de todos os desafios que basearam a especialização produtiva da Tearfil. Consolidando a sua aposta em I&D e inovação de fios técnicos e funcionais, a empresa especialista em fiação brilhou na Cidade Luz – Paris, e mais precisamente na Expofil, ao lançar no passado mês de Fevereiro, em exclusivo para a UE, o fio Dri-release. Um fio que recentemente voltou a cintilar no Fórum Têxteis do Futuro do Modtissimo, e que serviu de fio condutor da entrevista do Jornal Têxtil ao responsável pela I&D do Produto da Tearfil, Luís Xavier.
Jornal Têxtil (JT) – Mas, afinal, o que é o fioDri-release®?Luís Xavier (LX) –Trata-se de um fio desenvolvido pela Tearfil, que pode ser fiado em contínuo de anel, open-end ou sirospun e que resulta da mistura de um poliéster de última geração com uma fibra natural, que poderá ser algodão orgânico, algodão Supima, algodão tradicional, lã, linho ou Lyocell. A Tearfil é a produtora exclusiva deste fio para toda a UE no âmbito da fiação convencional e para todo o mundo no domínio da fiação sirospun e em mesclas. A fibra original possui ainda o tratamento Fresguard, activado durante o acabamento do produto, e que tem a particularidade de eliminar qualquer odor.O produto com Dri-releaseseca 4 vezes mais rápido do que o de algodão e apresenta todavia um toque análogo a este. Além do mais, conserva as suas propriedades e conforto após lavagem, ao contrário de alguns poliésteres tratados, e oferece ainda uma elevada resistência à ruga e à abrasão.Todo o produto só pode ser comercializado depois de ter sido certificado pela Optimer Performance Fibers (OPF), a empresa americana que detém a patente do Dri-release, de forma a garantir a funcionalidade do produto.Este fio integra competências variadas que o mercado vai saber valorizar, uma vez que origina produtos de maior valor acrescentado. JT – O que distingue este fio de todos os outros?LX – Os fios compostos unicamente por fibras de origem celulósica, como o algodão ou a viscose, são confortáveis quando a pele está seca… Estas fibras são formadas por longas cadeias de grupos hidróxilos (OH). Estes OH formam facilmente ligações de hidrogénio com os OH da água, originando a absorção de humidade da pele por parte da fibra. Infelizmente, os tecidos em algodão possuem muitos grupos OH, absorvendo e, por consequência, retendo demasiada humidade. Deste modo, resulta a deterioração do transporte da humidade e a saturação do tecido. O micro-clima entre a pele e o tecido torna-se, por consequência, quente e húmido.O sistema de transporte do Dri-release utiliza as melhores qualidades de algodão e de poliéster para libertar a humidade do corpo para o exterior. A baixa quantidade de algodão no Dri-release possui apenas grupos OH suficientes para que o tecido absorva a transpiração da pele. Por seu lado, o poliéster transfere a humidade para a superfície do tecido. Esta camada exterior de humidade evapora-se rapidamente em contacto com o ar.Numerosos testes efectuados junto dos consumidores demonstraram que o tecido Dri-release comporta-se bastante melhor, tanto em seco como em molhado, do que o de algodão e outros tecidos de alta performance. Com efeito, as suas qualidades são inerentes às fibras e o vestuário resultante permanece macio, seco,fresco e inodoro durante mais tempo. Embora rivalize com os poliésteres de grande qualidade, o seu preço é mais competitivo. JT – Incontestavelmente se a OPF, uma empresa americana, dá a exclusividade do desenvolvimento e produção do fio Dri-release para a UE a uma empresa portuguesa é porque há uma relação de grande confiança, pois certamente havia vários candidatos.LX –A Tearfil surge associada a este projecto graças aos bons resultados obtidos na I&D de novos produtos com base nas fibras Dri-release que temos levado a cabo. Logo que tomámos conhecimento da existência do Dri-release, avançámos de imediato, sem qualquer garantia inicial de exclusividade, pois acreditámos logo nas suas potencialidades. Deste modo, a OPF acabou por reconhecer, e premiar, os nossos esforços, propondo-nos uma parceria para toda a UE.Este fio assume hoje nas nossas investigações um papel preponderante. Por um lado, representa, uma aposta de risco, na medida em que implica uma adesão ao seu consumo e, por outro lado, um desafio grandioso. Acreditamos plenamente no seu êxito, pois trata-se de um fio cujas fibras conferem excelentes propriedades relacionadas com a saúde, oeasy care, o conforto e o ambiente e que pode ser aplicado num vasto leque de produtos. JT – Quais são os produtos finais mais idóneos para este fio?LX –Embora inicialmente tenha sido desenvolvido para artigos desportivos, este fio rapidamente provou ser eficiente num vasto leque de produtos em tecido ou malha: roupa de banho e de cama, meias, camisas, toalhas de praia e, em especial, produtos next to the skin. Independentemente da estrutura da peça de vestuário, é conveniente que o Dri-release esteja no interior, em contacto com a pele, de modo a optimizar as suas características funcionais. JT – O palco escolhido para apremière europeia do fio Dri-release foi a última Expofil. Como foi recebido este novo fio no seio da feira?LX –Efectuámos muitos e bons contactos em várias áreas, desde os têxteis-lar até ao desporto, com grandes marcas internacionais que estão bastante interessadas neste fio. A própria organização da feira reconheceu a importância do Dri-release e, por consequência, integrou os nossos produtos em destaque nos diferentes fóruns. De modo algum estávamos à espera de um entusiasmo com esta dimensão à volta do Dri-release. Tivemos potenciais clientes de toda a Europa – Portugal, Espanha, França, Itália, Reino Unido, Alemanha, etc. -, da Turquia, dos EUA e do Japão. Alguns estão já interessados no exclusivo, a nível europeu, para algumas composições. Nunca estabelecemos tantos contactos em apenas três dias! JT – Depois seguiu-se o lançamento em território nacional, no Fórum Têxteis do Futuro do Modtíssimo…LX – O Fórum Têxteis do Futuro é uma excelente iniciativa que tem procurado dinamizar o que de mais inovador se faz no sector dos têxteis técnicos a nível nacional. E que agora adquire uma dimensão internacional ao associar-se à Techtextil, a maior feira de têxteis técnicos do Mundo, levando avante o projecto de transportar o Fórum até Frankfurt, local de realização do certame. Num momento em que a Tearfil se encontra já em fase de consolidação da sua aposta em fios de alta tecnicidade, fazia todo o sentido associarmo-nos a esta iniciativa, única em Portugal, e juntar sinergias de modo a marcar uma posição nacional no panorama internacional dos têxteis técnicos.;Em particular, a reacção dos visitantes face à panóplia de produtos apresentada pela Tearfil foi francamente positiva, e à semelhança de Paris, o tecido Dri-release dominou as atenções. Mas outros produtos que integram também importantes funcionalidades tiveram igualmente uma boa receptividade, como por exemplo os tecidos com propriedadeseasy care e anti-bacterianas, os tecidos com protecção contra a radiação UV (factor de protecção 30), os tecidos ignífugos e os tecidos à base de algas (Seacell) que apresentam propriedades anti-inflamatórias e anti-purido utilizadas como suporte de medidas terapêuticas contra doenças como a psoriase e as neurodermatites.Hoje, o consumidor já não é apenas seduzido pela estética, mas também pela performance do produto. E o produtor para responder a essa nova tendência do mercado tem de criar e inovar continuamente. JT – A Tearfil tem estabelecido importantes parcerias com conhecidos grupos internacionais, primeiro com a Lenzing e agora com a OPF. Há outras parcerias no horizonte?LX – O futuro têxtil português passa obrigatoriamente pela inovação, pelodesign, pelas marcas próprias e pelas parcerias. E a estratégia da Tearfil engloba todas elas.Hoje, a Tearfil, como maior cliente português das fibras de viscose, modal e Lyocell da Lenzing, usufrui de uma relação privilegiada com esta empresa multinacional que resultou, e bem, nos eventos Be Happy realizados no Porto, Barcelona e Paris. Eventos estes que vão continuar a ter lugar em 2004, mas cujos locais estão ainda por definir.Com a OPF esperamos com o tempo e o trabalho em conjunto obter os mesmo êxitos, e os resultados iniciais deixam antever perspectivas bastante promissoras.Também em Portugal temos encontrado excelentes parceiros, e o auspicioso sucesso do Dri-release é o reflexo dessa realidade, já que nesta primeira fase do desenvolvimento pudemos contar com a LMA e a TTT como parceiros.Mas a Tearfil não está somente aberta a parceiras com a indústria, também os centros de saber são hoje um elemento importante neste âmbito, e certamente um elo a ter em conta na nossa cadeia num futuro próximo. JT – E outras surpresas?LX –Estamos a trabalhar nelas e em breve serão divulgadas…. É assim o desenvolvimento estratégico da Tearfil.










