Taxa europeia de €3 faz cair importações de pequenas encomendas

A chegada de pequenas encomendas importadas de países terceiros à União Europeia dá sinais de retração, com os números das alfândegas belgas a darem conta de uma diminuição superior a 50% em julho no aeroporto de Liège.

[©Service Public Fédéral Finances Belgium]

De acordo com a AFP, que cita dados oficiais da Bélgica, houve uma queda de 53% na entrada de pequenas encomendas através do aeroporto de Liège em julho face a igual mês de 2025, na sequência da taxa de três euros aplicada pela UE a 1 de julho. Segundo os serviços aduaneiros, a taxa teve o efeito esperado, tendo-se registado igualmente uma quase duplicação do valor médio das mercadorias importadas, que voltou a ultrapassar os 10 euros.

«Os primeiros resultados demonstram que esta medida já está a produzir efeitos concretos. Constatamos uma diminuição significativa dos envios de valor muito reduzido, receitas adicionais consideráveis e um reforço da nossa capacidade para combater produtos perigosos, não conformes ou contrafeitos», afirmaram, em comunicado, David Clarinval, Ministro da Economia, e Jan Jambon, Ministro das Finanças.

Embora ainda não esteja disponível um balanço consolidado à escala europeia, os números da Bélgica confirmam a tendência já observada noutros países europeus. Segundo o Ministério da Economia de França, que cita dados das suas alfândegas, as importações de pequenas encomendas terão caído entre 30% e 40% na União Europeia.

«Perante a China, não há fatalidades», afirmou Roland Lescure, Ministro da Economia francês, durante o evento de rentrée da Medef, congratulando-se com os efeitos desta medida. «Se implementarmos as políticas públicas certas, podemos ganhar, vamos ganhar», assegurou.

Dados da aplicação de compras Joko, baseados nas transações bancárias de 1,5 milhões de consumidores em França, apontam igualmente para uma forte quebra das vendas nas plataformas abrangidas pela medida, segundo a AFP.

O site chinês Temu registou uma queda de 50% entre junho e julho, enquanto a sua congénere AliExpress sofreu uma redução de 37% e a asiática Shein de 15%. «Várias marcas estão a aumentar o valor médio do cabaz para absorver o custo da taxa, com +30% na Temu e +27% na AliExpress entre junho e julho de 2026. A AliExpress confirmou que passou a incluir os direitos aduaneiros nos seus preços», analisou o Joko.

A relativa resistência da plataforma de moda Shein, originária da China mas atualmente sediada em Singapura, explica-se, de acordo com a Joko, pela abertura de um «armazém gigante» na Polónia «já em dezembro de 2025», o que «reduz a sua exposição à taxa».

Em 2025, cerca de 5,9 mil milhões de pequenas encomendas entraram no mercado europeu, o equivalente a mais de 180 por segundo e quatro vezes mais do que em 2022. Deste total, 93% eram provenientes da China.

Além desta taxa de três euros, que vigora temporariamente até 2028, altura em que se prevê que a revisão do sistema aduaneiro europeu esteja concluída, deverá ser complementada por uma taxa de manuseamento para financiar os serviços de fiscalização e alfândegas, que os empresários da indústria têxtil e do vestuário europeus defendem que deve rondar os 10 euros.