Tavex aposta no Premium

A Tavex quer manter a liderança em 2008. Entre um mercado pouco brilhante e um dólar que não ajuda à situação, a produtora de denim espera ainda assim aumentar a sua quota de mercado e ter performances semelhantes às de 2007, um ano mais satisfatório que os dois anteriores, com um volume de negócios em progressão de 1,8% e lucros de novo positivos. No entanto, a Tavex começou o ano em ritmo lento, com resultados líquidos negativos de 8,4 milhões de euros no primeiro trimestre, devido aos elevados custos da reestruturação. Mas o volume de negócios estÁ a aumentar 2,7%, para os 87,7 milhões de euros. Por zona geogrÁfica, a Europa estÁ em baixa de 19% (17,8 milhões de euros), uma diminuição que a Tavex explica pelo atraso na expansão da sua fÁbrica Settavex, em Marrocos. Na América do Sul, as vendas estão em progressão de 8,4%, para os 65 milhões de euros. Também no continente norte-americano, as vendas, embora ainda mínimas, aumentaram para os 5 milhões de euros. A Tavex conta com um aumento de capital de 39,9 milhões de euros para reforçar a sua estrutura financeira e manter o nível de crescimento. é verdade que certos factores provocam incerteza; o custo das matérias-primas afecta-nos», afirma José Luis Zabaleta, director comercial da Tavex. Mas a produtora de denim tomou precauções hÁ jÁ vÁrios anos para afrontar esta situação delicada do sector, juntando-se ao gigante brasileiro Santista para formar um vasto negócio intercontinental (ver Santista compra Tavex). Foi em Março de 2006 que os dois gigantes do denim se uniram para atingirem, a prazo, 10% a 15% do mercado mundial do denim, contra os 4,6% em 2007. Com fÁbricas na Europa e no México para a Tavex e centros de produção para a Santista no Brasil, na Argentina e no Chile, a força da nova empresa promete. Mas os primeiros anos não foram fÁceis. Foram marcados pelas reestruturações e perdas financeiras, nomeadamente em 2006, antes de obter lucros em 2007 (ver Tavex de volta aos lucros). Para isso, a nova empresa teve de empreender uma reestruturação das famílias de produtos dos dois parceiros e uma redução do pessoal, tanto em Espanha como na América do Sul para conseguir criar sinergias eficazes. A Tavex racionalizou a sua produção na Europa encerrando, no final de 2007, a fÁbrica de Alginet, em Espanha (6 milhões de metros a menos na Europa), e a de Aracaju, no Brasil, no início de 2008, que pertencia à Santista (15 milhões de metros a menos). Foram estes encerramentos em Espanha e no Brasil que fizeram cair os resultados da Tavex no primeiro trimestre deste ano. A empresa decidiu concentrar-se na compra de duas fÁbricas no México, em Puebla e em Tiaxcala. A nossa estratégia de desenvolvimento nos EUA e, muito particularmente, a nossa decisão de nos centrarmos nas marcas premium de Los Angeles ou do CanadÁ, obriga-nos a melhorar a nossa reactividade: ter a logística na Europa era muito complexo e os direitos aduaneiros complicavam ainda mais as encomendas. Além disso, as grandes cadeias e marcas americanas deslocalizaram a sua produção para o México, pelo que produzir neste país se tornou lógico», explica José Luis Zabaleta. A entrada em funcionamento destes “postos” mexicanos serÁ progressiva. A produção deverÁ atingir 19 milhões de metros no final de 2008, podendo elevar-se a uma capacidade total de 30 milhões de metros até ao final de 2010. Paralelamente, a rede comercial foi reforçada com um showroom em Nova Iorque e gabinetes em Atlanta e Los Angeles. é o segmento Premium que, essencialmente, nos interessa», insiste o director comercial. Este segmento Premium (jeans entre os 100 e os 300 euros) e o segmento Authentic (jeans entre os 40 e os 80 euros) são agora as estrelas da Tavex em todo o mundo. O produtor de denim estima que esta estratégia é a única que lhe pode permitir competir com os produtos asiÁticos. Se 95% das vendas da Tavex no mercado europeu dizem respeito a estes segmentos de gama alta, muito é preciso ainda fazer, após a fusão com a Santista, para aumentar as vendas desta categoria de produtos na América do Sul, região que contribui em cerca de 70% para as vendas da nova empresa. Os primeiros progressos estão aí, jÁ que a quota dos produtos de gama alta aumentou de 40% para 70% das vendas no mercado brasileiro em 2007. E se no momento da fusão a Tavex produzia 160 milhões de metros de denim, actualmente produz 165 milhões de metros. Para jÁ queremos consolidar os nossos investimentos», sublinha Zabaleta. O que não impede a empresa de reflectir quanto ao futuro. Ausente para jÁ do continente asiÁtico em termos de produção, a Tavex tomou a decisão de, a prazo, se instalar aí, mas ainda não estÁ nada decidido quanto a uma localização precisa. Estamos em conversação com os Chineses, mas neste momento hÁ um clima de incerteza. O custo do algodão aumentou de forma brutal e, a certos níveis, alguns industriais chineses pararam de produzir. A isto juntam-se os custos energéticos e os laborais, que dispararam no sul do país. Todos estes elementos fazem-nos, para jÁ, hesitar quanto a uma localização exacta. Para além da China, hÁ outros países asiÁticos interessantes», declara o director comercial. Quanto à actividade, a Tavex não esconde que o mercado atravessa um período de consumo fraco hÁ três anos e que 2008 deve prosseguir essa tendência. Mas o director comercial da empresa espera um relançamento visível a partir do Verão de 2010: creio que assistiremos ao regresso de um estilo mais favorÁvel aos jeans, com modelos mais sofisticados e o regresso do vintage, que deve impulsionar a procura».