O MyShape.com deixa os consumidores experimentar as suas roupas sem nunca as tocar. O retalhista on-line sedeado em Altadena, na Califórnia, pede aos seus clientes para enviar as suas medidas e depois o website propõe várias peças de vestuário adequadas às suas medidas e estilo.Louise Wannier, co-fundadora da MyShape, afirma que a empresa pretende responder à preocupação que impede a maior parte das pessoas de comprar roupa on-line: "será que vai servir?"São as empresas como a MyShape que estão a dar um novo fôlego ao mundo das compras de vestuário na Internet, um sector que apresenta muita insatisfação por parte dos consumidores, com taxas de devolução na ordem dos 45%.Prevê-se que a venda on-line de vestuário, calçado e acessórios nos Estados Unidos atinja este ano 22,1 mil milhões de dólares, um salto de 21% em relação a 2006, ocupando a posição dos computadores como a maior categoria de retalho on-line, de acordo com os estudos compilados no relatório do eMarketer.O valor do crescimento, ainda pequeno, mostra que a indústria de vestuário tem um longo caminho a percorrer na Internet.As vendas on-line representam apenas 8% do total das vendas de vestuário no ano passado nos EUA, enquanto que 41% das vendas dos equipamentos informáticos foram realizadas através da world wide web. E com os três maiores retalhistas on-line de vestuário – Victoria's Secret, L.L. Bean Inc. e Gap Inc. – a representar apenas 27% das vendas em 2006, o mercado está muito receptivo aos pequenos retalhistas que usam técnicas de marketing inovadoras para superar as resistências dos consumidores.Robert Holloway, ex-responsável de marketing da Levi Strauss & Co., afirma que superar as preocupações dos compradores relativamente aos tamanhos é a chave para construir na Internet um negócio de vestuário com sucesso. «As pessoas estavam muito nervosas sobre a compra de vestuário porque não tinham a certeza de que iria servir e depois teriam de devolver».Agora ele é um dos cérebros por detrás da Zafu, uma empresa de equipamentos sedeada em Emeryville, Califórnia, que pega nas medidas dos consumidores e depois procura numa base de dados de artigos de vestuário que têm o tamanho indicado.Cerca de dois milhões de mulheres já usaram o serviço desde que este começou há um ano e, segundo Halloway, cerca de 94% das utilizadoras afirmam que a roupa tem, de facto, as medidas certas.«Se não servir, devolva»Quando serviços deste tipo não estão disponíveis, os retalhistas consideram as políticas liberais de envio e devolução como um ponto importante para o sucesso das vendas on-line.Janice Ponce, proprietária da Tulip Hill, uma loja de vestuário de senhora em Penticton, no Canadá, decidiu há cerca de um ano atrás pôr on-line alguns dos seus artigos em vez de abrir uma segunda loja.«O que tivemos de fazer quando começamos com este site há um ano foi dar a certeza que havia uma garantia de 100% de devolução do dinheiro se o artigo não servisse», afirmou Ponce. A loja responsabiliza-se também por metade dos portes de envio.As lojas perceberam que pequenos detalhes personalizados e um bom serviço ao cliente é a melhor forma de atrair os consumidores on-line.Leigh Thompson administra a Paper-Doll.com, uma loja sedeada em Toronto que vende vestuário de senhora exclusivamente na Internet desde a sua abertura em 1998. «Temos um serviço de apoio on-line. Por isso qualquer pessoa pode ir ao site e obter ajuda em tempo real durante as horas de expediente, o que agrada a muitas pessoas porque não têm de gastar tempo a telefonar ou a enviar um e-mail», afirma.Mas o e-commerce no Canadá ainda continua a ritmo lento. De acordo com um relatório recente da Forrester Research, 74% dos consumidores canadianos estiveram on-line em 2006 mas apenas 40% compraram alguma coisa na Internet.










