Tailândia é vitima da sua estratégia de baixo-custo

A Tailândia está a perder quotas nos mercados de vestuário da Europa e dos Estados Unidos. Longe de qualquer alteração desde o início do ano, as exportações de têxteis e vestuário continuam a cair. De acordo com a Associação de Fabricantes de Vestuário da Tailândia, as exportações do sector deste país caíram 16,5% entre os meses de Janeiro e Fevereiro para 466,02 milhões de euros. As exportações de fio e tecidos desceram 12% e 14,5% respectivamente, em comparação com o mesmo período no ano passado. A queda nas remessas explica-se pelo impacto negativo dos ataques de Setembro, pelo novo sistema de gestão de quotas e pela intensa concorrência por parte da China e dos países asiáticos que praticam políticas de baixo-custo. Em comparação, as exportações de vestuário da China aumentaram nos dois primeiros meses do ano. Em 2001, as exportações tailandesas de têxteis e vestuário tinham descido 5,77%, para 5,99 mil milhões de euros. Queda nas importações de tecidos Um claro sinal de que a produção de vestuário diminuiu, foi a descida das importações de tecido que caíram 7,9% no ano passado, para 1045,03 milhões de euros. A actual queda nas exportações é segundo as associações industrais, o resultado de dois grandes erros. O primeiro refere-se ao facto de uma grande parte das empresas de vestuário tailandesas continuarem a focar-se na produção de baixo-custo, ultrapassando o aumento de salários da Tailândia através da importação de trabalhadores estrangeiros de países vizinhos mais pobres. Presos a uma estratégia de baixo-custo, muitos exportadores são assim obrigados a baixar os preços. O segundo, deve-se às vendas concentradas nas quotas de mercado, tais como o Reino Unido e os Estados Unidos que somaram 4,54% e 38,55% do total de exportações de têxteis e vestuário, respectivamente. Os exportadores tailandeses estão agora confrontados com o plano de remoções de quotas e podem enfrentar a competição nos mercados dos Estados Unidos e da Europa a partir de Janeiro de 2005. Conscientes de tal ameaça, muitas empresas têxteis começaram a modernizar o seu equipamento para serem capazes de produzir fios e tecidos de qualidade. No ano passado, as importações de maquinaria têxtil duplicaram, precisamente por esta razão. Durante anos, as autoridades tentaram desenvolver uma produção verticalmente integrada de forma a atrair o investimento estrangeiro. Por exemplo, o China Worldbest Group está presentemente a investir num projecto que ronda os 133,05 milhões de euros, incluindo uma fábrica de fiação de algodão, uma fábrica de têxteis e de produção de ácido cítrico. Mais importante, a principal associação industrial de vestuário forjou uma nova estratégia apontando para o desenvolvimento de produtos de marca com qualidade que serão exportados para outros mercados da Ásia. Com o suporte financeiro do governo, 96,66 milhões de euros serão gastos no período compreendido entre 2003 e 2005. Um comité nacional de moda será nomeado e os exportadores de vestuário irão contratar designers de moda e peritos em marketing estrangeiros. Os exportadores de vestuário tailandeses esperam tirar partido dos baixos impostos dentro do mercado asiático. O Centro de Moda de Bangkok poderá ajudar a Tailândia a tornar-se no ponto central da moda da região. Algumas empresas de vestuário tailandesas estão já a vender marcas de roupa para várias lojas na Ásia.