Surpresa no lucro

As indemnizações pagas e as despesas de reestruturação pesaram fortemente no lucro do quarto trimestre na Polo Ralph Lauren Corporation, mas os lucros anuais foram melhores do que o esperado. Contudo, fazendo uma análise prévia do ano que aí vem, a empresa não quis avançar as previsões anuais de lucros por acção devido à incerteza económica», mas afirmou que irá continuar a tomar controlo do seu negócio no sudeste asiático e intensificar o desenvolvimento de novos produtos, sem perder de vista as medidas de redução de custos. No próximo ano, esperamos melhorar as nossas forças financeiras e de gestão para prosseguir as oportunidades de aumentar a quota de mercado mundial», afirmou Roger Farah, presidente e COO. Para os três meses até 28 de Março, o lucro da Polo Ralph Lauren caiu 56,7%, para os 45 milhões de dólares (32,45 milhões de euros), em comparação com os 104 milhões de dólares de há um ano atrás. Excluindo os valores ligados às indemnizações, ao despedimento de 500 pessoas e ao encerramento de lojas, o lucro foi de 87 milhões de dólares, revelou a empresa, que acrescentou também que as acções reestruturais deverão levar a uma poupança anual de 25 milhões de dólares. O volume de negócios trimestral desceu 1%, para os 1,22 mil milhões de dólares, em comparação com os 1,24 mil milhões de dólares do ano passado, com as vendas comparáveis mais baixas a não serem totalmente compensadas pelo aumento de 3% no volume de negócios grossista, com a empresa tomar o controlo do vestuário infantil, anteriormente cedido sob licença, e dos produtos de vestuário de golfe no Japão (ver Polo Ralph Lauren toma o controlo). Esta mudança significa que os direitos provenientes de licenças caíram 16%, para os 47 milhões de dólares. A empresa também revelou que vendeu menos produtos da American Living, a sua linha exclusiva para a JC Penney. As vendas a retalho no trimestre caíram 8%, para os 366 milhões de dólares, com as vendas comparáveis em todas as suas lojas a caírem 15,9%: houve uma quebra de 29,3% nas lojas Ralph Lauren, uma redução de 8,8% nas lojas de fábrica e uma quebra de 20,8% na Club Monaco. A empresa opera 326 lojas, enquanto que os seus parceiros internacionais licenciados operam 90 lojas Ralph Lauren e 63 Club Monaco. O ano fiscal de 2009 foi um dos mais difíceis que o mundo já enfrentou, mas os nossos resultados mostram que estamos a operar a partir de uma posição de força», afirmou Ralph Lauren, presidente e CEO da empresa. No total do ano, o lucro caiu 3,3%, para os 406 milhões de dólares, em comparação com os 420 milhões de dólares do ano anterior. Excluindo encargos, o lucro por acção atingiu os 4,50 dólares, o que ultrapassou as previsões da empresa que apontavam para um valor entre os 3,85 e os 4 dólares. O volume de negócios anual cresceu 3%, para os 5,02 mil milhões de dólares, dos 4,88 mil milhões de dólares no período anterior. As vendas por grosso aumentaram 5%, para os 2,89 mil milhões de dólares, com o lançamento da American Living há um ano atrás a compensar o declínio nas vendas no mercado interno de vestuário para homem, senhora e criança. As vendas a retalho aumentaram 1%, para os 1,94 mil milhões de dólares, com as novas marcas e o crescimento on-line a contrabalançarem uma redução de 5,2% nas vendas comparáveis nas lojas. Os royalties provenientes das licenças desceram 7%, para os 195 milhões de dólares. A atracção dos nossos produtos, complementada pelas medidas proactivas que accionamos durante o ano para proteger a nossa marca e a sua rentabilidade, permitiu-nos obter lucros melhores do que o esperado no ano fiscal de 2009», afirmou Farah. Para o ano fiscal 2010, a Polo Ralph Lauren antecipa que o volume de negócios diminua a uma taxa de um dígito elevado, com as vendas por grosso a descer a uma taxa de dois dígitos inferior a 15% e as vendas comparáveis a caírem a uma taxa de cerca de 15%.