Sucesso passa na Alfândega

«Nova casa, mesmo sucesso» é o balanço final, ainda que pouco original, da 9ª edição do Fórum Têxteis do Futuro (FTF), realizado no âmbito do salão Modtissimo, que estreou o ano no emblemático edifício da Alfândega, no coração do Porto. Com efeito, a mudança não influiu na bem sucedida fórmula da Associação Selectiva Moda/Citeve, que muito tem contribuído para a divulgação da mais inovadora faceta dos têxteis junto da globalidade dos players da ITV, e até do público em geral, que hoje tem um novo olhar sobre esta indústria de grande importância para o país. Os “de menos” – frio, escasso mobiliário, fraca iluminação ou espaço exíguo – não conseguiram ofuscar o brilho de uma edição impacientemente aguardada e que com esta capacidade de se reinventar deu um novo fôlego ao sector. Em especial destaque nesta edição esteve as duas sessões de workshops do FTF, que geraram uma corrente novidades que promete prender a ITV nacional à actualidade internacional. A primeira foi o lançamento do 2º Directório de Têxteis Técnicos e Funcionais, da autoria do Citeve, que reúne respostas de 66 empresas, representando um acréscimo de 50 por cento em relação à primeira publicação. A segunda foi o surpreendente anúncio da capital do Norte como novo porto de abrigo para a próxima edição do ciclo de simpósios internacional “Como entrar no mercado dos têxteis técnicos”, que será realizado na Primavera de 2007 (ver notícia PT). A terceira novidade ficou por conta de Michael Jänecke, director da Techtextil, que comunicou a realização de um novo evento anual no Brasil, em substituição da bienal Techtextil São Paulo, na sequência do êxito da sua última edição, assim como algumas das novidades para a próxima Techtextil North America, a decorrer em Atlanta entre 28 e 30 do corrente mês, e que terá a participação de um pavilhão com as cores nacionais, que inclui as empresas Fisipe, Segurvest, Sidónios Malhas, António de Almeida & Filhos, Coltec e Micropólis. Mais uma vez, os expositores (19) fizeram deste fórum um ponto de encontro da inovação ao ritmo da estação. Em particular, a mostra abarcou toda a fileira têxtil, desde as fibras high tech (Fisipe), fios de alta performance (António Almeida & Filhos), fitas revolucionárias (Artefita) e malhas de elevada tecnicidade e funcionalidade (Sidónios Malhas e LMA), até à roupa de protecção e segurança (Dacon, Alta Visibilidade e Segurvest), vestuário do futuro (Natura Pura e Tenente Ski), processos avançados de colagem e laminagem (Coltec e Foot by Foot) ou de microencapsulação (Micropólis), alta tecnologia (Gerber, Hitzmann & Sampaio, Invescorte e Lectra) e centros de I&D (Universidade do Minho e Inegi). «Os nossos objectivos centravam-se principalmente em divulgar das nossas áreas de investigação e competências, sustentadas pelos resultados desse mesmo trabalho levado a acabo, bem como publicitar os nossos projectos de ensino», revela Fernando Ferreira, director do Departamento de Engenharia Têxtil e do Centro de Ciência e Tecnologia da Universidade do Minho. «Atendendo à afluência registada no nosso stand e o interesse demonstrado, a avaliação é claramente positiva». Na origem deste balanço animador estão alguns dos mais inovadores projectos 2C2T, como o casaco de bombeiro inteligente, a bota de segurança ou a t-shirt termorreguladora, desenvolvidos em parceria com empresas e outras instituições de I&D. Entre essas instituições encontra-se o Inegi, que apresentou in loco os resultados de uma dessas cooperações que permitem o avanço da ITV – uma pré-forma têxtil em fibra de vidro para a produção de componentes estruturais para, por exemplo, asas de aviões não tripuláveis. No final do certame, Célia Novo, investigadora da Unidade de Materiais Compósitos do Inegi, mostrava-se satisfeita com esta estreia face «ao interesse despertado pelos nossos projectos e serviços, que resultou em numerosos contactos não só da indústria têxtil, como de outras indústrias». A Dacon continua a estender as suas competências na área do vestuário profissional, surpreendendo-nos em cada nova edição. Desta vez, a nova aposta da empresa centrou-se especialmente nos fardamentos básicos para trabalhos realizados no exterior, com a incorporação de materiais impermeáveis e de alta visibilidade, e na integração de um novo universo à sua oferta – os acessórios. «Fomentar a I&D de novos produtos foi o nosso principal objectivo de 2005. Para este ano, vamos sobretudo desenvolver a nossa parte comercial na sequência deste acréscimo da gama de produtos», declara António Oliveira. Em relação a esta mudança de cenário, o administrador da Dacon afirma que «foi muito positiva, já que urgia dar uma viragem completa no certame». A passarela do FTF teve um brilho acrescido pelos coletes de protecção infantis criados pela Alta Visibilidade, graças ao seu inovador design. A empresa especialista em vestuário de protecção e segurança apresentou também novos desenvolvimentos para cicloturismo e caminhada, com novos materiais e novas propriedades funcionais. Ermelinda Machado, administradora da Alta Visibilidade, mostrou-se entusiasmada com as novas instalações, mas deixa o aviso de que é preciso melhorar as condições. «No entanto, o FTF não é só isto, há muitas outras iniciativas associadas como o seu projecto de internacionalização, primeiro na Techtextil Frankfurt e agora na Techtextil Atlanta, e a elaboração do directório, cuja 2ª edição acaba de ser aqui lançada», declara Ermelinda Machado. Atenta aos detalhes, a administradora da Alta Visibilidade, mostra-se encantada com o novo logótipo do certame, revelando que «adoptei-o nas minhas fichas de contactos realizados na feira, e parece que deu sorte já que estes se revelaram bastante interessantes». O original e ecológico conceito da NaturaPura despertou a atenção e a curiosidade, como aliás já vem sendo hábito em qualquer certame em que participe aqui ou além-fronteiras, dos muitos visitantes do Modtissimo. A única empresa portuguesa certificada com o rótulo ecológico da UE apresenta inúmeras novidades para esta estação, tal como anuncia a sua responsável de comunicação e marketing, Mónica Sendas: «temos uma nova linha pré-mamã de homewear, assim como uma nova colecção infantil constituída por novos modelos com novas texturas». Actualmente, a nossa mais “verde” marca regista um franco sucesso no seu mais recente mercado – o Japão –, impulsionado pela sua participação na Expo 2005. Na realidade, os produtos Natura Pura invadiram o globo terrestre, desde a gélida Islândia até à recôndita Ilha da Reunião. Esta “onda verde” mergulhou também a Sidónios Malhas no desenvolvimento de uma vasta panóplia de produtos mais amigos do ambiente, com base em fibras como o bambu, a soja, o algodão orgânico e o milho. «Tentamos principalmente responder a uma procura crescente por parte dos consumidores por produtos mais ecológicos», explica a responsável comercial Carla Faria. Mas a grande novidade da especialista em malhas ficou por conta de uma malha “space” fabricada com uma nova tecnologia, e que tem um sem fim de aplicações desde o vestuário outdoor até aos revestimento interior do automóvel, passando pelo calçado. Quanto à Sidónios Íntimo, centra as suas mais recentes apostas nos artigos seamless produzidos a partir de fios com mais valias como o Outlast (termorregulador) ou o Dri-release (gestor da humidade), ambos desenvolvidos pela António de Almeida & Filhos, tal como revela Mónica Alves, comercial da empresa especialista em seamless. Ambas as responsáveis são unânimes na hora do balanço: «A feira foi um êxito».