Sucesso bem-aventurado para o FTF

O Fórum Têxteis do Futuro (FTF), uma iniciativa integrada no salão Modtissimo e organizada pela dupla Associação Selectiva Moda/Citeve, voltou a ser a montra nacional, por excelência, do que melhor se faz no país na área dos têxteis com valor acrescentado. Um leque de 15 expositores apresentou os seus mais recentes desenvolvimentos em I&D, incluindo fibras acrílicas de alta tenacidade (Fisipe), fios termorreguladores (Tearfil), fitas anti-UV (Artefita), malhas técnicas e funcionais (LMA e Gulbena Têxteis), tecidos laminados (Coltec e Foot by Foot) e revestidos (Endutex), transferes reflectores (Heliotextil), vestuário reciclado (Universidade do Minho), vestuário de alta visibilidade (Alta Visibilidade e Segurvest), novas tecnologias para estamparia digital (Hitzemann & Sampaio) e microcápsulas com PCM (Micropolis). Sob o mote "desporto aventura", o Citeve apresentou um conjunto de produtos, concebidos em parceria com empresas do sector, para três modalidades-chave: o ciclismo, o hipismo e o balonismo. No âmbito do ciclismo, o centro tecnológico desenvolveu, em conjunto com a P&R, Fernando Valente, LMA e Lemar, entre outras, três equipamentos para duas modalidades de ciclismo – "Bike Cross Country" e "Bike DownHill. «A grande novidade é que, pela primeira vez, estamos perante desenvolvimentos que foram já contratualizados, antes mesmo de serem expostos, pela marca da P&R Têxteis OndaBike», revelou Fernando Merino, director do departamento Têxteis do Futuro do Citeve. Para hipismo, o Citeve propôs dois desenvolvimentos: um para o cavalo – coberjões de elevada performance que conjugam materiais funcionais e um design atractivo – e outro para o cavaleiro – vestuário que associa o conforto, a protecção, a facilidade de movimento e a gestão da temperatura e da humidade. «Tratam-se de desenvolvimentos pioneiros nesta área que suscitaram já grande interesse por parte das entidades que aqui actuam», anunciou Fernando Merino. Por fim, no domínio do balonismo, o centro tecnológico apresentou uma maqueta, desenvolvida em parceria com a Lemar e a Anac (Associação Nacional de Aviação Clássica e Experimental), que ilustra as competências nacionais neste âmbito.Esta 11ª edição foi vivida sob um clima de particular entusiasmo face ao novo desafio que se avizinha – a terceira internacionalização do FTF, com mais uma participação na Techtextil/Avantex Frankfurt, que promete estabelecer um novo recorde de participações nacionais. A ultima edição deste importante certame, organizado pela Messe Frankfurt e consagrado aos têxteis técnicos, não-tecidos e vestuário inovador, registou a participação de 14 expositores portugueses, doze dos quais sob a égide da Associação Selectiva Moda. «O FTF tem sido uma ponte para a internacionalização de importantes projectos nacionais de I&D, tendo criado uma imagem colectiva e uma cultura de inovação dentro deste sector a nível nacional», sublinhou o director do departamento Têxteis do Futuro do Citeve. Além disso, o fórum tem tido um papel dinamizador na aproximação de um conjunto de actores (Citeve, universidades e empresas) à volta de novos projectos de I&D, fomentando um contacto estreito e permanente assim como promovendo oportunidades de colaboração. «Em 2002, quando organizámos a primeira edição, estávamos longe de sonhar que seria possível reunir um leque tão vasto de empresas e, ainda menos, levá-las a encetar um processo de internacionalização com resultados tão positivos como aqueles que tivemos oportunidade de observar quer em Frankfurt, em 2005, quer em Atlanta, um ano depois», afirmou com grande satisfação Fernando Merino. Nesta edição do FTF, o grupo Endutex focalizou a sua mostra nos tecidos para aplicações hospitalares, nomeadamente com tratamento anti-ácaros e hipoalergénicos, uma das especialidades da sua empresa Tricela. Carlos Magalhães, responsável de produto da Endutex, realçou «a aposta do FTF na Techtextil, o que é muito importante para a nossa indústria». Uma das estreantes nesta edição do FTF foi a Heliotextil, especialista em transferes de aplicação a quente. No final do certame, Paula Pacheco, gestora de produto na Heliotextil revelou que «houve contactos muito interessantes, fomentados pela curiosidade que despertaram as novidades apresentadas». Para Hélder Carvalho, docente do Departamento de Engenharia Têxtil da Universidade do Minho e investigador no Centro de Ciência e Tecnologia Têxtil da mesma universidade, «o fórum é importante na medida em que nos permite divulgar novos projectos e novos cursos, assim como estabelecer contactos interessantes». Esta opinião é partilhada por Filipa Pereira, assistente de direcção da LMA: «é importante dar visibilidade ao que melhor se faz neste sector no país onde se faz». Quanto à Fisipe apresentou uma vasta gama de fibras acrílicas como novas funcionalidades para as indústrias da construção civil, da filtração, do papel, etc. «O balanço desta edição foi positivo», afirmou Luís Pais, responsável de mercado da empresa especialista em fibras acrílicas. «Registámos contactos muito interessantes e também revimos alguns clientes nacionais. Esta edição ficou especialmente marcada pelo lançamento da primeira "pedra" para um novo projecto no âmbito dos têxteis técnicos». Presença habitual no FTF, dentro e fora das fronteiras nacionais, a Coltec apresentou nesta edição um conjunto de novos desenvolvimentos para as indústrias do vestuário, têxteis-lar e do automóvel. «São artigos que têm a leveza, o toque e a performance como factores-chave», declarou Carla Silva, comercial da empresa especialista em laminagens. «Esta iniciativa tem realmente fomentado a inovação no ITV nacional».