Suceder a um Nome

Os Christian Dior, Guy Laroche, Gabrielle Chanel e Jeanne Lavin há muito que já partiram deste mundo. Os Kenzo, Scherrer ou Saint-Laurent venderam as suas casas. Para todos, a direcção artística mudou de mãos, à semelhança do que aconteceu recentemente com Paco Rabanne e Emanuel Ungaro. Karl Lagerfeld é o caso mais emblemático de uma sucessão bem sucedida: representa há mais de 20 anos o espírito Chanel com um sucesso incontornável e um à-vontade por muitos invejado. Outro sucesso, o de John Galliano, que chegou à Dior em 1996. O nome do criador britânico está hoje estritamente associado à marca. Adulado ou detestado, fez todavia disparar as vendas da casa. Dois outros directores artísticos têm uma missão mais ingrata devido ao “peso” do fundador da marca: Stefano Pilati na Yvess Saint-Laurent, onde tem de assumir uma dupla herança do mestre, ainda em vida, e Frida Giannini na Gucci, cujo predecessor – Tom Ford – apresenta uma personalidade bastante marcante. No entanto, tem havido alguns belos encontros entre casas efectuando uma longa travessia do deserto e directores artísticos que as relançaram na alta-moda: Balenciaga com Nicolas Ghesquière e Lanvin com Albert Elbaz. Na Givenchy, a direcção decidiu tomar o seu tempo para encontrar a pérola rara que lhe permitisse recuperar todo o seu brilho de mítica marca francesa de moda, depois das meteóricas passagens de John Galliano, Alexander McQueen e Julien Macdonald, chegou mesmo ao ponto de não participar nos desfiles das colecções femininas da moda parisiense. Riccardo Tisci, um jovem italiano desconhecido do grande público, foi o eleito há cerca de um ano, e passou com distinção as primeiras provas.