Subsídios para o algodão culpados da pobreza africana

Subsídios que rondam os 3,9 mil milhões de euros por ano e que estão a ser atribuídos aos produtores de algodão dos Estados Unidos, são a principal causa da grave crise nos mercados globais, adianta a Oxfam, uma entidade que leva a cabo uma campanha de caridade a favor de melhores condições comerciais para os países mais pobres. Falando a favor do Brasil, que apresentou uma intimação contra os subsídios na Organização Mundial do Comércio (OMC), a Oxfam, sediada no Reino Unido, adiantou que o suporte financeiro para os 25 mil produtores americanos de algodão está a empurrar milhões de africanos da zona sub-Sahariana para a pobreza. A entidade acusa também o facto dos subsídios encorajarem a sobre-produção e a exportação através de dumping, bem como a baixa de preços a nível mundial. No relatório “Cultivando a Pobreza – O impacto dos subsídios americanos de algodão na África”, a Oxfam adiantou que o apoio total do Governo americano aos EUA era três vezes superior ao total da ajuda americana enviada para África, onde vivem 500 milhões de pessoas. Na sua queixa à OMC, o Brasil afirmou que o programa de subsídios permitia às gigantes americanas de algodão aumentarem a sua quota no mercado global, apesar dos seus custos de produção terem sido mais altos a nível mundial. Oxfam acrescentou ainda que os subsídios permitiam as empresas americanas produtoras de algodão, inviabilizar agricultores mais eficientes nos Estados pobres. Mais de 10 milhões de pessoas da África sub-Sahariana dependem da produção de algodão, explica aquele organismo.