Subida do euro beneficia exportações

Mesmo estando a maior parte das vendas para o estrangeiro concentrada na zona euro, muitas matérias-primas são negociadas em dólares. O que significa que as empresas portuguesas que compram com dólar e recorrem ao euro para vender serão as mais beneficiadas. “O euro encontrava-se subvalorizado. Esta subida pode até funcionar como uma correcção, embora uma valorização muito rápida não seja favorável à zona euro”, afirmou Rui Madaleno, director de economia da Associação Industrial Portuguesa (AIP) ao Diário de Notícias. A nível geral, a valorização da moeda única vai trazer vantagens a curto prazo, já que irá provocar um abrandamento da inflação e o adiamento da subida das taxas de juro pelo Banco Central Europeu. O director da AIP fez notar que apesar da maioria das empresas nacionais exportar para países europeus, “há empresários que vão ter dificuldades, designadamente aqueles que vendem para fora da zona euro e transaccionam em dólares”. Na área têxtil há subsectores que serão mais afectados do que outros. Entre eles estão os algodões e os têxteis-lar, que apesar de não sofrerem um grave impacto não sairão ilesos, bem como as “empresas que vendem produtos de baixa qualidade, porque competem com os preços reduzidos de países como a China e Paquistão”, adianta José Robalo, presidente da Associação Nacional dos Industriais de Lanifícios (ANIL) e da Federação Portuguesa das Indústrias Têxtil e de Vestuário (FPITV). No que respeita ao sector do calçado os efeitos quase não serão sentidos já que, 92% das exportações têm como principal destino a Europa. Apenas três a quatro por cento da produção é vendida para os EUA. O mesmo não acontece com países como a Espanha e a Itália que atingem vendas na ordem dos 20% para os Estados Unidos. Na opinião de João Maia e Paulo Gonçalves, da Associação Portuguesa dos Industriais do Calçado, Componentes e Artigos de Pele e seus Sucedâneos, Portugal pode tirar partido desta situação, já que várias matérias primas são negociadas em moeda americana, tanto com os EUA, como com o Brasil, Paquistão e Índia. Uma última opinião sobre o impacto da valorização do euro face ao dólar foi dada pela economista-chefe do BPI, Cristina Casalinho, que não tem dúvidas que os produtos portugueses vão continuar a ser competitivos no espaço europeu, beneficiados por custos de transporte mais baixos e pela ausência de risco cambial.