Subida do dólar arrasa têxtil americana

A indústria têxtil, um doa maiores sectores transformadores dos Estados Unidos, emprega quase meio milhão de trabalhadores, tem sido devastada pelo aumento do valor do dólar. No ano passado, 116 fábricas têxteis fecharam e 67 mil funcionários – 13% do total da mão-de-obra do sector – perderam os seus empregos. Desde que o dólar iniciou a sua subida em 1997, 177 mil empregos foram suprimidos na têxtil e 215 unidades têxteis encerraram as suas portas nos Estados Unidos. A pressão dos preços, que começou em 1997 com a desvalorização da moeda asiática e pela imposição da política de fortalecimento do dólar, causou um ciclo de 4 anos de deflação nos preços da têxtil americana.. Nos meses mais recentes, os maiores países asiáticos exportadores orientaram as suas políticas monetárias para prevenir a queda do dólar. Como resultado, desde 1997, os lucros quase recorde da indústria transformaram-se em perdas e as perdas por sua vezes deram lugar ao encerramento das fábricas, a despedimentos e a falências. E a subida implacável do dólar foi um factor chave na imersão da indústria na pior crise económica desde a Grande Depressão. Muitas das maiores e mais modernas empresas têxteis do país foram à falência – incluindo, nos últimos seis meses, a Burlignton Industries, Guilford Mills, Malden Mills, CMI Industries e a Galey & Lord. Ascensão e queda da indústria: 1997 vs 2001 Antes da subida do dólar, a indústria estava saudável e em pleno crescimento. Em 1997, o consumo de fibras tinha atingido um valor recorde de 17 mil milhões de libras, os embarques industriais chegaram aos 84 mil milhões de euros, as expedições em valor estiveram perto de atingir o recorde de 2,7 mil milhões de euros e as exportações têxteis rondaram os 17 mil milhões de euros, um novo recorde. Desde essa altura, a subida incessante do dólar, principalmente contra a moeda dos maiores exportadores asiáticos, abalou a estrutura competitiva da indústria, causando uma enorme vaga de importações e o colapso dos maiores mercados de exportações. Nos últimos cinco anos, o dólar apreciou-se num valor que rondou em média os 40% contra o «Top 10» doa países asiáticos exportadores de têxteis. Mais tarde, a China, Taiwan e a Coreia compraram milhares de milhões de dólares americanos para manter as suas próprias moedas artificialmente fracas e assim manter uma vantagem artificial de preço no mercado americano. Paralelamente ao aumento nas importações, a sobrevalorização do dólar causou o colapso dos grandes mercados americanos de exportação têxtil. Desde 1997, as exportações têxteis americanas para a Ásia desceram 26%, enquanto que para a Europa a queda foi de 27%. As exportações têxteis para os dois maiores mercados industriais, Canadá e México, desceram respectivamente 8% e 13% no ano passado.