Stock reduzido pode ser prejudicial – Parte 2

A quebra na procura tem fomentado a tendência dos retalhistas para a redução de inventários, procurando assim cortar nas despesas e na necessidade de realizar rebaixas consideráveis nos preços dos produtos (ver Stock reduzido pode ser prejudicial – Parte 1). No entanto, a redução de stocks pode não ser a melhor solução, sendo eventualmente prejudicial para o negócio na principal época comercial do ano. Brincar com o fogo Todas estas tácticas de redução de stocks fazem sentido, mas também implicam riscos. Acertando, consegue-se maximizar os lucros, minimizar custos e os valores de lucro bruto são muito positivos; mas falhando, corre-se o risco de falhar as vendas, tão desesperadamente necessárias. Um analista de retalho nos EUA, considera ser «claro e evidente» que os stocks em muitos dos mais duramente pressionados retalhistas foram perigosamente reduzidos. «Estamos todos cientes de como eles chegaram aqui, mas se pararmos para pensar, não faz sentido», afirmou. «A procura do consumidor vai aumentar em determinado ponto. O desemprego é um problema, mas os mercados bolsistas estão em alta, então por que razão essa recuperação não pode chegar nas férias? Caso isso aconteça, alguns destes retalhistas vão ter problemas. As suas lojas vão começar a parecer cidades fantasma em breve e eles vão perder clientes… vão estar ainda pior que no ano passado», acrescentou. Dramatismo exagerado? Soa um pouco exagerado? Consideremos os resultados do terceiro trimestre anunciados pela sueca H&M. Os lucros subiram 3,9%, mas os analistas ignoraram este dado e focalizaram-se na queda de 11% nas vendas para o mesmo número de lojas durante um mês de Agosto excepcionalmente quente. O motivo? A admissão, por parte da administração da H&M, que, em alguns casos, esgotou os stocks. «Durante a recessão, os clientes tornaram-se mais atraídos pelas rebaixas», disse a empresa, acrescentando que «as vendas da H&M no Verão esgotaram-se rapidamente, resultando em menos produtos disponíveis em rebaixa no mês de Agosto». Como analista da S&P, Alessandra Coppola considera que o cenário sugere, na melhor das hipóteses, um contacto escasso com as lojas para assegurar a melhor combinação de produtos. Na pior das hipóteses, revela as expectativas da direcção, de que as vendas seriam ainda piores, evidenciando assim uma política de stocks excessivamente cautelosa. Em Agosto, o presidente e director executivo da Perry Ellis, George Feldenkreis, alertou que os stocks de retalho foram «muito empobrecidos» e que a procura subjacente pode não ser tão má como muitos acreditam. «Os retalhistas vão deparar-se com uma situação em que alguns deles, se as vendas melhorarem um pouco, vão realmente ficar sem stocks e vão andar atrás do inventário», considera Feldenkreis. Nenhum retalhista quer ficar com as prateleiras cheias de produtos não vendidos à medida que 2009 se aproxima do fim, mas as empresas devem ter cuidado com o que desejam. Manter os inventários reduzidos pode fazer sentido económico, mas a margem de erro é muito pequena.