Stock reduzido pode ser prejudicial – Parte 1

À medida que os gastos dos consumidores caíram, em sintonia com a desaceleração económica, as cadeias de retalho norte-americanas reduziram brutalmente os inventários, num esforço de poupança. Uma reacção compreensível, mas que pode implicar problemas para fornecedores e retalhistas, à medida que se aproxima a preparação para a temporada natalícia. O espectro sombrio da época natalícia do ano passado está ainda a ensombrar o retalho norte-americano, à medida que, mais uma vez, se aproxima o período comercial mais decisivo do ano. Os retalhistas passaram grande parte dos últimos 12 meses a reduzir pessoal, encerrar lojas e renegociar linhas de crédito, numa tentativa de manter a rentabilidade, ou simplesmente sobreviver. E uma coisa é certa: desta vez, os retalhistas estão determinados a não ficar presos com mercadorias indesejadas, que terão de ser vendidas com descontos acentuados no novo ano. Em muitos casos, os stocks caíram de forma mais acentuada e rápida do que as vendas, à medida que as empresas procuram reduzir os seus custos e aumentar as margens brutas. Entre os exemplos recentes de cortes de inventário, destacam-se os casos da Talbots (redução de 29% no segundo trimestre, em relação ao ano passado), Neiman Marcus (redução de 23%), Tween Brands (redução de 18,5% por pé quadrado) e Saks (redução entre os 10% e 15%, projectada para o segundo semestre). Não é de admirar que empresas como a Brown Shoe, por exemplo, tenham registado cortes radicais nas receitas grossistas, depois de uma quebra de 21,1% no segundo trimestre. Precaução e conservadorismo A precaução e o conservadorismo são claramente as emoções dominantes deste ano, e por boas razões. Mas se estas emoções não forem controladas, os retalhistas podem descobrir que as prateleiras estão a esvaziar-se a um ritmo assustador, durante aquela que deveria ser a época mais lucrativa do ano. De acordo com o relatório “US small and mid-market outlook 2009: Retailers and suppliers take stock of economic downturn”, elaborado pela Forbes Insights em conjunto com a empresa de serviços financeiros CIT, o panorama do retalho neste ano não está apenas associado com inventários reduzidos. A investigação descobriu que os retalhistas, preocupados com a perda de vendas para os concorrentes estão predispostos a realizar descontos maiores e mais cedo neste período de férias, partindo do princípio que esta seria uma maneira fácil de injectar dinheiro rápido nas suas empresas em dificuldades. Em paralelo com estas medidas, a Emerson Advisors, empresa de consultoria para o retalho, sugere a divisão das encomendas em múltiplas entregas, o compromisso com as compras na data mais tardia possível e a oportunidade para anular ou reduzir encomendas, se as tendências não parecerem promissoras. A Emerson Advisors também recomenda, sempre que possível, reter até 20% das entregas, observar a procura e, em seguida, enviar as mercadorias para as lojas onde estão a ser vendidas, em vez de permanecerem onde as vendas estão fracas. Na segunda parte deste artigo, analisam-se as possíveis consequências destas e de outras estratégias orientadas para o controlo dos inventários.