Spinnova desinveste da fibra e aposta na tecnologia

A empresa finlandesa apresentou o relatório de 2023 e reforça como estratégia para o crescimento no futuro a curto prazo a venda de tecnologia, afastando o investimento na produção própria de fibra.

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Janne Poranen, presidente do conselho de administração e cofundador da Spinnova, sublinha no relatório que a venda da tecnologia é agora vista como «o maior motor de geração rápida de dinheiro» e que a «estratégia da empresa é agora mais clara». Segundo Janne Poranen, «focamo-nos no que fazemos melhor. A adoção das inovações em fibras no sector têxtil a grande escala ainda está por vir. É difícil evitar a adversidade quando se tenta mudar uma indústria já estabelecida», acrescenta.

O relatório aponta como grandes marcos de 2023 a conclusão da joint-venture Woodspin, com a Suzano. «Em retrospetiva, estávamos inicialmente demasiado otimistas sobre o tempo necessário para começar a fábrica e, consequentemente, sobre os prazos para as próximas decisões de investimento. Embora tenhamos encontrado atrasos no lançamento da fábrica, estamos agora numa boa fase», refere Janne Poranen. «A fábrica da Woodspin cumpre a sua missão ao otimizar e demonstrar o conceito da próxima unidade industrial», refere, sublinhando, contudo, que «não temos como objetivo a produção da fibra na capacidade total, mas apenas focar-nos em encontrar um conceito escalável».

O ano passado, contudo, foi «desafiante» para a Spinnova devido «à situação macroeconómica mundial», refere o presidente do conselho de administração, assim como devido «às mudanças na gestão e I&D da empresa».

O volume de negócios baixou de 24,3 milhões de euros em 2022 para 10,6 milhões de euros em 2023 «devido à transferência de vendas de tecnologia e outros serviços à Woodspin», refere a empresa, que acrescenta que os resultados operacionais também se agravaram, de um prejuízo de 13,1 milhões de euros em 2022 para -20,9 milhões de euros em 2023. Para este ano, o volume de negócios da Spinnova deve ser «mais baixo do que em 2023», mas os resultados operacionais deverão ser melhores, mantendo-se, contudo, negativos.

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Desde a saída, em abril de 2023, do CEO Kim Poulsen, o cargo foi ocupado, de forma interina, pelo diretor financeiro Ben Selby. Já no início deste ano, Tuomas Oijala assumiu a posição e aponta, como foco para este ano o cliente, a execução da estratégia e o reforço da empresa.

«Para que a Spinnova ou qualquer outro inovador ser bem sucedido, temos de posicionar as nossas prioridades e desenvolvimento para que reflitam o que gera valor para o negócio dos nossos clientes. Depois da nossa atualização de estratégia, os nossos clientes são agora as empresas que investem na nossa tecnologia de produção. O sucesso do nosso trabalho com eles envolve um ótimo produto de fibra que seja fácil de escalar, um investimento com um forte perfil financeiro e a capacidade de entregar isso», resume Tuomas Oijala.

Como tal, indica, uma das medidas de sucesso será a forma como os clientes veem a Spinnova e se estão dispostos a investir na tecnologia. «Quando formos bem sucedidos aí, significa que teremos sido bem sucedidos a fazer um ótimo produto e com escala e podemos ter um verdadeiro impacto no planeta – sem escala, o nosso impacto e contribuição para tornar o planeta num local melhor para viver está limitado», conclui o CEO.