Spinnova com prejuízos avança para o corte de custos

Os resultados negativos em 2023, com a queda do volume de negócios e o aumento do prejuízo, levaram a mudanças na direção da empresa têxtil finlandesa, que anunciou uma revisão estratégica para reduzir custos, incluindo despedimentos.

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Os resultados de 2023 da Spinnova, publicados hoje, revelam que o volume de negócios caiu para menos de metade, passando de 24,3 milhões de euros em 2022 para 10,6 milhões de euros no ano passado. Já o prejuízo subiu para 20,1 milhões de euros, em comparação com 13,1 milhões de euros em 2022, enquanto o investimento baixou de 17 milhões de euros para 9 milhões de euros no ano passado.

Em comunicado, Tuomas Oijala, CEO da Spinnova desde dezembro, sublinhou que «o atual clima económico não é o mais fácil para escalar uma empresa. Nos meus primeiros meses, fiquei a conhecer as operações e as pessoas com o objetivo de trazer clareza, foco e estabelecer prioridades. Estamos a fazer progressos passo a passo na nossa jornada para aumentar os volumes de produção de fibra Spinnova e trazer a fibra para o mercado aplicada em produtos através da nossa empenhada cadeia de fornecimento e marcas parceiras».

Para o CEO, «é evidente que as tendências macroeconómicas, estrangulamentos na cadeia de aprovisionamento global de fibras e a necessidade da indústria têxtil responder às suas metas de sustentabilidade representam oportunidades significativas e inspiradoras para nós».

Para já, no entanto, a Spinnova, que destaca, no relatório financeiro de 2023 a parceria que estabeleceu com a portuguesa Tearfil e o recente acordo com a Suzano, vai focar-se na sua revisão estratégica, que foi anunciada no final de agosto do ano passado e foi agora revista. «A Spinnova decidiu dar prioridade a ações que – a curto e médio prazo – permitam, o mais rapidamente possível, fluxos financeiros positivos e criem o maior valor possível para os acionistas da empresa», refere.

Entre 2025 e 2026, o objetivo é vender, com produção própria ou através de clientes da sua tecnologia, 30 mil toneladas de fibra, subindo para 130 mil toneladas entre 2028 e 2030 e, a longo prazo (entre 2034 e 2036) para 450 mil toneladas, altura em que a Spinnova antecipa ter um lucro operacional superior a 100 milhões de euros por ano.

No imediato, a empresa – que sofreu alterações na administração, com a saída, prevista para abril, do diretor comercial Allan Andersen, do vice-presidente executivo e responsável por escalar a produção Teemu Lindberg, e de Petri Poranen, que sai por motivos de saúde – pretende reduzir os custos e «mudar a sua estrutura organizacional para apoiar a execução da sua estratégia e reduzir os custos fixos para atingir as metas de rentabilidade».

A Spinnova deverá diminuir em até 1,4 milhões de euros o custo com o pessoal, pelo que vai despedir pessoas ou colocá-las temporariamente em layoff. A empresa emprega, atualmente, 76 pessoas na Finlândia. «O número estimado de cortes permanentes é de um máximo de 16 postos de trabalho e o número máximo estimado de mudanças de função é de cinco posições», anunciou. O processo de negociação deverá ficar terminado a 11 de abril.