SOS Haiti

As empresas de vestuário com ligações ao Haiti uniram-se no apoio aos colegas e fornecedores locais, na sequência do terramoto que devastou a capital do país (ver Produção de vestuário arrasada no Haiti). Mas elas também admitem que o impacto do sismo é susceptível de ter repercussões económicas duradouras, as quais não serão menos relevantes para o sector de vestuário, que é o mais importante da economia haitiana. «Poderá demorar algum tempo até sermos capazes de fazer uma avaliação completa sobre a situação da importante indústria do vestuário do Haiti, que será vital para a reconstrução do país após este acontecimento devastador», afirma Kevin Burke, presidente e director-executivo da American Apparel & Footwear Association (AAFA). Antes do desastre, o Haiti era o 17º fornecedor em volume, de produtos de vestuário vendidos nos EUA, com exportações no valor de 412 milhões de dólares em 2008. Entre Janeiro e Outubro de 2009, o valor das exportações de vestuário para o mercado norte-americano aumentou 22%, para os 424 milhões de dólares, beneficiando da proximidade com o seu principal cliente e da sua produção de baixo custo. O país mais pobre do Hemisfério Ocidental também beneficiou do HOPE II Act (Haitian Hemispheric Opportunity through Partnership Engagement), de 2008, que concede, às suas exportações de vestuário, o acesso isento de taxas alfandegárias aos EUA. E uma campanha lançada em Outubro arrecadou 2 milhões de dólares para ajudar o sector de vestuário, prevendo-se um aumento de cinco vezes nas exportações. O desastre que abateu sobre o país é um grave revés para as 25 fábricas de vestuário do Haiti e os seus mais de 24.000 trabalhadores. Burke refere que, por enquanto, a atenção está voltada em «chegar aos membros que actuam no Haiti». «Neste momento, os nossos membros estão concentrados na segurança dos seus trabalhadores e no apoio às operações de salvamento e de socorro para ajudar o povo do Haiti», explica A American Apparel Producers’ Network tem também acompanhado o paradeiro dos seus membros através da sua AAPN Tactical Network. E no Canadá, a Gildan Activewear, empresa produtora de t-shirts e vestuário com sede em Montreal, revela estar ainda a recolher informação «a fim de avaliar completamente o impacto do terramoto no Haiti sobre as operações e empregados dos seus subcontratados no país». A empresa, que utiliza trabalhadores haitianos para as operações de confecção, refere que as indicações iniciais são de que duas das suas três instalações contratadas estão intactas, enquanto uma terceira empresa, mais pequena, sofreu danos importantes. Na Hanesbrands, produtora de t-shirts e roupa íntima, que usa o Haiti para «uma pequena percentagem da sua produção total», o problema mais imediato é a infra-estrutura local perto da capital do país, Port-au-Prince, incluindo portos, estradas, pontes e sistemas de energia. A empresa refere que três dos seus quatro subcontratados de confecção no país foram atingidos pela catástrofe, mas que vai mudar a produção para a República Dominicana e América Central, para evitar perturbações na sua rede de aprovisionamento.