Solução espacial para problema terrestre

Um novo tipo debabygrow, desenvolvido pela companhia belga Verhaert e pela Universidade de Bruxelas (ULB), poderá ajudar na prevenção da Síndroma de Morte Súbita (SMS) em recém-nascidos. A SMS é considerada uma das principais causas de morte, nos países desenvolvidos, entre bebés até um ano de idade. Sem razão aparente, as crianças deixam pura e simplesmente de respirar durante o sono, acabando por morrer.

 

Estebabygrow, baptizado “Mamagoose” (Mãe Ganso), foi concebido com base na tecnologia utilizada em duas aplicações espaciais: o gravador bio-mecânico analógico e o fato de pletismografia de respiração induzida. Esta transferência para uma aplicação civil de tecnologia desenvolvida para o espaço faz parte do Programa de Transferência de Tecnologia da Agência Espacial Europeia (ESA).O projecto “Mamagoose” é também financiado parcialmente pela Agência Espacial Alemã e o IWT, o instituto belga para a promoção a investigação científica e tecnológica para a indústria.

 

A este projecto está associado um cientista de origem portuguesa, Manuel Paiva, professor de Física na Faculdade de Medicina da ULB e colaborador em várias missões da NASA e da ESA. O investigador, que deixou Portugal em 1964, chama a atenção para estudos realizados com monitores semelhantes aos dobabygrow Mamagoose para afirmar que «não há conclusões definitivas, pelo que este não pode ser apresentado como qualquer coisa que vai resolver a ‘morte súbita’ e que, dada ainda a insuficiência de testes realizados, não se pode avaliar definitivamente a sua validade». Por isso, prefere enfatizar as campanhas de prevenção sobre a SMS levadas a cabo ao longo da última década, as quais «diminuíram a mortalidade em mais de 50%».

 

Obabygrow Mamagoose possui cinco sensores especiais posicionados sobre o peito e a barriga: três para monitorizar o batimento cardíaco do bebé e dois para a respiração. Este duplo sistema sensor garante um elevado nível de precisão das medições. Os sensores especiais encontram-se costurados na roupa e não entram em contacto directo com a pele, evitando assim qualquer sensação de desconforto para o bebé. O babygrow é constituído por duas camadas: a primeira, em contacto directo com a pele do bebé, pode ser lavada à maquina e a segunda, que contém o sistema sensorial, deve ser lavada à mão. Além disso, é fabricado a partir de material anti-alérgico e foi desenhado de forma a que os sensores não sofram qualquer desvio durante o uso.

 

A unidade de controlo com sistema de alarme está conectada aobabygrow, monitorizando e processando continuamente os sinais emitidos pelos cinco sensores. Esta unidade está programada com um algoritmo de alarme que analisa o padrão respiratório de modo a detectar alterações inesperadas e potencialmente perigosas, sobre as quais activa imediatamente o sistema de alarme.

Os protótipos Mamagoose esta a ser testados em diferentes hospitais, sob vários ambientes e condições, e em bebés com diferentes pesos e alturas. Até ao momento, os resultados obtidos têm sido extremamente promissores, mas entre cientistas a «prudência» é a palavra de ordem. Daí até à comercialização há um passo de gigante, que exige a realização de testes em massa dos aparelhos a comercializar. No entanto, a Verhaert espera poder colocar obabygrow Mamagoose no mercado logo que encontre um parceiro comercial, e o seu preço deverá rondar entre 100 e 150 euros.