SMF chega aos EUA

Um ano depois de ter conquistado o sonho americano, através de um agente e da plataforma faire.com, a SMF já soma 150 lojas nos EUA. A marca de pronto a vestir, que substituiu a cor vermelho do logotipo pelo branco e preto, está também a investir em marketing, sobretudo digital.

João Ramos

Foi na última participação na feira Magic Las Vegas, antes da pandemia, que surgiu um contacto de um americano que tornou os EUA, anteriormente sem expressão, num mercado apetecível e relevante para a SMF.

Depois de duas tentativas a expor neste certame, sem grande fluxo de contactos e com clientes pouco significativos, «decidimos procurar de representantes, distribuidores, o que fosse, não podíamos sair de lá sem nada e conseguimos um bom contacto de um potencial agente. Apresentámos a coleção e falámos com ele. Só que, na altura, as condições eram muito difíceis para uma marca pequena como a nossa e acabamos por não estabelecer negócios», conta o diretor comercial João Ramos.

Passado um ano e, com o aparecimento do covid-19, «contactou-nos e conseguimos chegar a um acordo para ele distribuir a SMF nos EUA. Ao mesmo tempo questionou-nos sobre a possibilidade de entramos no Marketplace faire.com, onde tinha já outras marcas que representava», revela ao Portugal Têxtil.

Com esta parceria, a SMF conseguiu, num espaço de um ano, encaixar a marca em cerca de 150 pontos de venda.  «Está a ser muito bom, mesmo no marketplace está a correr muito bem», afirma.

A par do mercado revelação, Espanha, onde acaba de participar na Momad, continua «cada vez mais consolidado», com 200 lojas, onde a SMF «finalmente tem uma equipa sólida», mas é em Portugal que se centra o maior volume de vendas.

Assumidamente uma marca de moda casual acessível, a SMF passou recentemente por um rebranding, substituindo o vermelho do logotipo, «que dava um aspeto de saldos, de low cost», pelo branco e preto conferindo «mais sofisticação», explica João Ramos. Os três quadrados à volta do monograma foram eliminados. «Já não se usava!», exclama.

Ganhar mais notoriedade de marca

Com uma forte aposta em marketing, sobretudo digital, «tanto para o consumidor final, como para revenda», a SMF investiu em duas plataformas, «uma B2C, outra B2B, totalmente novas, que estão a funcionar bem. É cada vez mais difícil o cliente sair da sua loja e dirigir-se a nós, ao showroom, ao armazém, porque as margens estão mais pequenas, há mais concorrência e ele começa a fazer contas», explica o diretor comercial.

A insígnia tem ainda investido em newsletters, redes sociais, bloggers e em televisão com o objetivo de «ganhar mais notoriedade de marca». Apesar dos investimentos em comunicação estarem a ser canalizados para Portugal, João Ramos está a estudar a possibilidade de avançar para Espanha, França, Itália, Luxemburgo e Suíça. «São países culturalmente parecidos connosco e também acabam por ter um nível de proximidade maior do que outros. Vamos começar por estes», aponta.

Com um volume de negócios de 4,5 milhões de euros, 5% inferior a valores pré-pandemia, o diretor comercial acredita que já este ano, a SMF possa ultrapassar a barreira dos 5 milhões de euros.

«Conseguimos faturar muito mais, mas mesmo muito mais. Temos capacidade para isso, temos rapidez, serviço, produção célere, mas temos que ser realistas. Muitas vezes o que é que acontece? Estamos com boas perspetivas porque sabemos que aquele mercado vai crescer e depois levamos um pontapé de outro mercado», assume o diretor comercial da SMF.