SMBM fia internacionalização

Depois de duas importantes estreias na estação passada – na lista de expositores da Première Vision Yarns e no calendário de desfiles do Portugal Fashion graças à parceria com Susana Bettencourt, a SMBM ingressou na escola de francês para falar com os novos mercados. Agora estreita laços com a Unis Textile Design Studio.

Ainda que Espanha continue a ser o seu principal destino de exportação – que representa atualmente 10% das vendas –, o salto da internacionalização da SMBM, com a entrada na Première Vision Yarns em setembro último, pousou-a em novas geografias. «Tivemos dois contactos que funcionaram muito bem. Um com uma empresa francesa e outro com uma empresa canadiana. Para França é relativamente próximo, mas, mesmo para o Canadá, conseguimos fazer o desenvolvimento, o cliente aprovou-o e fez a encomenda, recebeu a encomenda e tudo funcionou muito bem», revela o CEO Bernardino Andrade, acrescentando que, ao destes, se somou o interesse da Holanda e da Alemanha.

Para se manter atrativa, edição após edição, Bernardino Andrade acredita que a oferta da SMBM deverá continuar a incluir a ecologia. «Percebe-se [na Première Vision] que há uma tendência muito grande na procura de produtos ecológicos, certificados. Estamos agora em processo de certificação para o Global Organic Textile Standard (GOTS) e para o Organic Content Standard (OCS). Estamos também no processo de certificação Made in Green by OEKO-TEX com o Citeve. E é uma vertente que, provavelmente, ganhará ainda mais força na próxima edição», afirma, adiantando que está a ser preparado um catálogo específico com artigos «mais amigos do ambiente, sem pegada ecológica e com responsabilidade social». Reunindo estes critérios, em 2018 a SMBM espera crescer para os 15% a 20% na exportação, segundo o CEO.

Lado a lado com a ecologia, nos corredores da fiação desfila a moda. No ano passado, com a marca Fifitex, a SMBM tornou-se a fornecedora oficial de fios da designer Susana Bettencourt, numa parceria que continuará a ser fiada nas próximas estações. «A Susana [Bettencourt] tem estado a trabalhar de perto connosco, apesar de estarmos nos extremos opostos da cadeia. A parceria resultou porque ela conhece bem a indústria», reconhece Bernardino Andrade. Privilegiando, além do algodão que é transversal a toda a coleção, matérias-primas nobres como a caxemira e a seda, a coleção “Color On The Shadows”, dedicada à primavera-verão 2019, foi também desenvolvida com a designer. «Quando os clientes veem os nossos catálogos conseguem ter a perceção de que há um trabalho de base, de estudo de tendências», destaca o CEO, asseverando que é precisamente aí que reside a diferenciação da SMBM.

Esta semana, a empresa confirmou a nova colaboração da marca Fifitex, desta feita com a Unis Textile Design Studio. atelier de design têxtil sediado em Guimarães.

«Somos oficialmente fornecedores de fio para a Unis Textile Design Studio», avança a SMBM. «A moda não nos larga e nós não largamos a moda, desta vez os nossos fios vão para a área têxteis-lar. Área que esteve sempre presente nos desenvolvimentos dos nossos fios, agora será pensada e criada em conjunto com a nossa mais recente parceria. Será mais um projeto desafiante, com visão na inovação e destaque na diferenciação no que diz respeito ao design do produto», pode ler-se no comunicado da empresa.

Para suportar o processo de internacionalização, no ano passado os investimentos da SMBM aconteceram de dentro para fora. «Houve um investimento em termos de layout do edifício com a criação de um showroom, que não tínhamos, no final do ano», explica Bernardino Andrade, falando de uma injeção global de capital na ordem do meio milhão de euros.

Dispondo de um efetivo de 95 pessoas e com 2017 fechado na ordem dos 3 milhões de euros, a SMBM tem a produção – que ronda as 100 toneladas mensais em contínuo de anel e 12 toneladas mensais em open-end – distribuída pelo sector malheiro (75%) e pela tecelagem, tapeçaria e têxteis-lar (25%).