Simplesmente Manoukian

A Alain Manoukian decidiu de mudar de identidade, submetendo-se para o efeito a uma completa reestruturação. Adquirida pelo grupo Max Azria em 2005, a marca especializada no vestuário enceta uma grande operação de lifting, quer em termos de colecção, grafismos e decoração das lojas. Em primeiro abandona o Alain, adoptando simplesmente como designação Manoukian. A nova identidade florescerá com a Primavera.Para o grupo, era urgente reagir face à queda das vendas, que recuaram de 10% em 2006, cifrando-se em 110 milhões de euros. O projecto de renovação engloba toda a sua rede, isto é, 210 lojas – 92 próprias, 23 franchisadas, 72 shop-in-shop e 21 lojas de fábrica (11 próprias e 10 franchisadas), cuja maior parte se encontra localizada em França (118), estando as restantes distribuídas por Espanha, Grécia, Suíça, Médio Oriente, China, Rússia e Portugal. Todas elas vão sofrer um tratamento de choque logo após o fim da época de saldos. Paralelamente, está agendada a abertura de seis novos espaços no Médio Oriente (EAU; Qatar, Barhein e Koweit), em parceria com o distribuidor local.A nova decoração, com a assinatura do gabinete de arquitectura interno do grupo Bcbg nos EUA, apresentará um espírito mais feminino e mais caloroso. Uma nova gama de cores, de madeiras quentes, de papéis de parede e de sofás constituíram um ambiente mais convidativo ao consumismo.Esta operação de choque na sua rede, não impede a Monoukian de cuidar igualmente as lojas multimarca onde está presente – 418 em França e mais de 150 no estrangeiro, em especial no Sul da Europa. Daí a sua presença na recente edição do salão Prêt à Porter Paris, que fechou as portas no passado dia 4, e no qual teve já a oportunidade de apresentar o seu novo conceito de espaço. O objectivo da marca é desenvolver verdadeiras parcerias com as lojas multimarca que dispõem de grandes superfícies de venda afim de melhor apresentar as suas colecções. «A ideia não é abandonar as boutiques pequenas, mas sim marcar uma presença mais forte nestas», sublinha Sarah Jehan, responsável de vendas da marca para o mercado francês.Em relação às duas superfícies mais emblemáticas de França, a marca mantém a sua parceria com a Printemps, onde possui cerca de 12 corners, mas anuncia a sua retirada das Galeries Lafayette, onde estava presente desde há 10 anos com 60 corners. Outra ruptura importante será o abandono, embora eventualmente não seja definitivo, das colecções masculinas, que representavam cerca de 10% do volume de negócios. «Pretendemos aproveitar a dinâmica da Bcbg para melhor desenvolver as colecções femininas», afirma Pascal Crolet, director-geral da marca.O alvo da marca é uma mulher bem diferente da cliente anterior. A ideia é vestir tanto as mães como as filhas, abarcando uma faixa etária dos 25 aos 60 anos, enquanto que até agora a marca visava sobretudo as mulheres com mais de 35 anos.A marca deverá também beneficiar das sinergias do seu novo proprietário. Embora pretenda continuar a cultivar a sua especialidade original – as malhas -, a Manoukian quer alargar a sua oferta de vestidos, o ponto forte da Bcbg Max Azria. Também o sourcing apresenta mudanças, na medida em que o grupo anuncia que a fabricação será realizada pela organização industrial que alimenta as suas outras marcas, ou seja, nove empresas espalhadas por seis países – México, Ásia e Países de Leste – e um total de 20.000 trabalhadores.