SIMM cada vez mais portuguesa

A participação das empresas portuguesas na Semana de Moda de Madrid – SIMM -, que decorreu de 9 a 12 de Fevereiro, tem aumentado de uma forma explosiva, especialmente no Espacio Hombre, que é quase na totalidade suportado por Portugal. O facto do mercado espanhol ser claramente um mercado importante para as exportações nacionais, faz com que estação após estação, a SIMM – o maior evento de moda em Espanha – tenha cada vez mais participantes portugueses. De um total de 43 expositores lusos, trinta e duas marcas de vestuário – 17 masculinas e 15 femininas – apresentaram as suas colecções Outono/Inverno 2006-2007 na 55ª edição da SIMM, numa parceria com a Anivec/Apiv – Associação Nacional das Indústrias de Vestuário e Confecção. Durante os dias em que decorreu a feira, as 32 marcas apresentaram quatro desfiles diários numa produção, como é habitual, a cargo do Portugal Fashion. OPortugal Têxtil acompanhou os quatro dias do evento e falou com algumas das empresas presentes. Apesar de ser notória a diminuição de fluxo de visitantes, as empresas nacionais mostraram-se muitos satisfeitas com a presença e resultados obtidos. Com uma presença cada vez mais forte em Espanha, as marcas nacionais têm-se mostrado mais criativas e arrojadas, onde o design, a identidade e a inovação de cada marca surgem com grande destaque. «Esta é a primeira vez na SIMM e por isso estamos a aprender a conhecer o mercado espanhol, que pela proximidade e pelo produto não podia estar mais de acordo com os gostos do mercado ibérico. Neste sentido, a primeira impressão é boa, as pessoas têm gostado muito da nossa colecção, que é dirigida especialmente a um segmento médio-alto. No global, a reacção tem sido muito positiva quer em relação à qualidade quer em relação ao design», explica, ao Portugal Têxtil, Joaquim Araújo da Orcopom. Também pela primeira vez na feira espanhola, Ana Ferreira, uma das responsáveis da Myuky, refere que a «feira correu muito bem, talvez porque a postura é propícia. Temos um produto diferente e um conceito jovem que nos distingue dos demais e nos faz ter bastante sucesso». Uma marca jovem e que se quer distinguir de tudo o que se faz e veste em Portugal, é a Meam. Com apenas um ano, a Meam apresenta um conceito arrojado e muito determinado. «Apostamos num produto diferente, com uma boa imagem, para quem quer marcar pela diferença, ou seja, para uma clientela muito específica», explica Maria do Carmo Mendes, responsável pela Meam. A marcar claramente uma forma de viragem na têxtil nacional, esta edição da SIMM fica registada por uma iniciativa que envolveu o Citeve – Centro Tecnológico das Indústrias Têxtil e do Vestuário de Portugal – e a Anivec/Apiv, e que pretendia demonstrar o que se faz em Portugal em termos de inovação e desenvolvimento. Um casaco de homem com um forro que permite a absorção de odores, uma camisa com microcápsulas hidratantes e aromaterapia e gravatas que repelem as nódoas ou exalam perfume. Para mulher, um fato cujas calças têm um tratamento anticelulítico, uma blusa que produz um efeito hidratante à base de Aloé Vera e uma écharpe com aromaterapia, foram algumas das propostas apresentadas com a ajuda da Dielmar e Onara, que dispensaram algumas peças das suas colecções para integração destas aplicações. «Não sei até que ponto esta acção terá impacto, isto são qualidades, muito interessantes, atribuídas às peças mas que acabam por não se ver e que para o consumidor final vai representar um preço acrescido. De qualquer forma, é uma iniciativa muito interessante, e que será certamente desenvolvida ao longo do tempo», explica Aires Santos da Dielmar. Esta parceria com o Citeve serviu para mostrar, em conjunto com a mostra das colecções das empresas presentes, que a indústria nacional é «cada vez mais agressiva», refere o Secretário de Estado do Comércio, Fernando Serrasqueiro. «O que faz com que tenha impacto afirmando-se num mercado considerado doméstico», conclui. «É importante que nos sectores tradicionais, e sobretudo na fileira têxtil, consigamos passar a imagem de que há modernidade», de forma a que a que a marca Portugal passe a ser conhecida como “currículo e não como cadastro”», acrescenta o Secretário de Estado. No que diz respeito ao orçamento do Estado que será atribuído ao Icep Portugal – Instituto das Empresas para os Mercados Externos – para apoiar a promoção das marcas e empresas portuguesas vai «mais do que duplicar», sendo que os 45 milhões de euros disponibilizados no ano anterior passará agora para os 100 milhões, anunciou Fernando Serrasqueiro. No entanto, é preciso que as diferentes associações e se organizem e juntem esforços no sentido de promover e realizar acções de grande escala e que causem um maior impacto. Por seu lado, Alexandre Pinheiro, da Anivec admitiu ser «um grande desafio» e que os apoios que o Icep terá para fornecer serão, apesar de tudo, «muito em relação ao dinheiro que há para disponibilizar, mas ainda pouco para o que existe para fazer».De referir que esta acção na SIMM representa uma forte aposta no mercado espanhol por parte das empresas presentes em Madrid, sendo que a SIMM é o evento de moda importante da península Ibérica e o segundo maior em superfície de exposição da Europa. Desta forma, Madrid torna-se, desde logo, um centro de oportunidades para os negócios e empresas portuguesas.