Siena mais sustentável e aberta a parcerias

A empresa de vestuário está a usar matérias-primas mais amigas do ambiente, incluindo reciclados e deadstock. Para além da sustentabilidade, a Siena acredita também no valor das marcas próprias e, por isso, está a apoiar projetos nesse sentido.

Ricardo Ferreira

A Siena tem investido em práticas sustentáveis, uma tendência que tem captado a atenção dos clientes. «As pessoas têm demonstrado interesse em tudo o que é sustentável. Além de utilizar fibras sustentáveis e processos energéticos eficientes, temos painéis solares que fornecem 50% da nossa energia», revela Ricardo Ferreira, CEO da empresa.

Uma das estratégias passa pelo uso de deadstocks, matérias-primas em excesso que são reaproveitadas para novas coleções. «Temos um pavilhão cheio de deadstock e há clientes que vêm exclusivamente à procura desse material», explica. A empresa também recicla os seus desperdícios, transformando-os em novas matérias-primas, que mistura com fibras virgens mais sustentáveis, como o algodão de cultura regenerativa Good Earth Cotton. «É rastreável e carbono positivo», destaca, salientando que «temos clientes bastante interessados e já quase esgotámos o stock daquilo que tínhamos separado».

Acima de tudo, a Siena tem assumido uma atitude proativa junto dos clientes. «Propomos ao cliente matérias-primas sustentáveis, tentando elencar todas as vantagens e fornecendo ferramentas de comunicação e credibilidade, como flyers informativos sobre os nossos produtos e parceiros como o Good Earth Cotton», salienta Ricardo Ferreira.

Aliás, refere, a legislação europeia no âmbito da sustentabilidade pode ser uma oportunidade para a indústria nacional. «Obviamente que vai dar trabalho, mas penso que o caminho é esse», acredita.

Especializada na confeção de vestuário exterior em malha circular, a Siena compra as matérias-primas principalmente em Portugal. «Privilegiamos obviamente os malheiros portugueses, por todas as razões e mais alguma – por patriotismo, mas também por razões de proximidade, de preço, de resolução de algum problema que surja, por toda a facilidade», assume o CEO da empresa, que exporta praticamente toda a produção para a União Europeia, com destaque para França e Espanha.

Apesar de um declínio de 5% no volume de negócios em 2023, que se manteve à volta de 10 milhões de euros, a empresa, que emprega cerca de 100 pessoas, espera uma recuperação em 2024. «Com as notícias que se vão ouvindo da possibilidade das taxas de juro baixarem, espero que isso se traduza de forma positiva no mercado e que possa haver um aumento do consumo», afirma Ricardo Ferreira.

O futuro, acredita, passa pela afirmação da empresa, e da indústria têxtil e vestuário nacional como um todo, como uma referência em práticas industriais sustentáveis e de elevada qualidade. «Portugal tem know-how, qualidade e reconhecimento mundial. Estamos, cada vez mais, a caminhar para aquilo que é de topo a nível mundial», faltando apenas «entrar num ecossistema de criação de marcas próprias de luxo ou gama alta», sublinha.

Embora tenha abandonado a marca própria, um projeto no mercado alemão «demasiado ambicioso» e fora do que considera ser as competências da empresa, a Siena está aberta a colaborações nesse sentido. «Gostaria de ter pequenas empresas ou até pessoas com projetos de marca própria associadas à empresa, com base na sustentabilidade, por exemplo. Estamos abertos a isso e temos feito alguma coisa nesse sentido com algumas marcas, oferecendo apoio financeiro e tempo para poderem lançar-se e crescer», conta Ricardo Ferreira. «Seria algo a pensar que jovens portugueses com criatividade e boas ideias se associassem a nós. Estamos sempre dispostos a ouvi-los e, se forem bons projetos, podemos avançar», conclui.

A equipa da Siena na última edição da Première Vision: Cyrrile Connat, Cidália Pinto, Sílvia Machado e Ricardo Ferreira