Shein entra em Bolsa

A retalhista de fast fashion terá iniciado o processo para entrar na Bolsa de Valores de Nova Iorque, dando mais um passo para consolidar um percurso de forte crescimento em pouco mais de uma década.

[©Shein]

A notícia de que a gigante chinesa vai entrar em bolsa é avançada pela Reuters, que cita duas fontes familiarizadas com o processo. Segundo a mesma fonte, a Goldman Sachs, a JPMorgan Chase e a Morgan Stanley foram contratadas como principais subscritoras da oferta pública inicial (IPO) e a Shein, sediada em Singapura, deverá lançar a venda de ações no próximo ano, devendo transformar-se numa das empresas fundadas na China mais valiosas na Bolsa de Valores de Nova Iorque.

Embora a Shein não tenha determinado a avaliação ou o tamanho do negócio, a Bloomberg tinha avançado no início deste mês que a meta seria atingir 90 mil milhões de dólares (cerca de 82 mil milhões de euros) em ações.

Fundada em 2012 pelo empresário chinês Chris Xu, a Shein consolidou a sua posição no mercado mundial de moda, servindo atualmente consumidores em mais de 150 países e empregando mais de 11 mil pessoas em todo o mundo, segundo os dados disponibilizados no seu website.

A retalhista tem um modelo de negócio online e direto ao consumidor, que tem permitido também um forte crescimento através da divulgação feita por influenciadores e consumidores comuns nas redes sociais, onde tem milhões de seguidores. Só no Facebook e no Instagram contabiliza 31 milhões de seguidores, mas a empresa alega ter, no total, mais de 250 milhões de seguidores nas redes sociais.

Embora não revele publicamente os seus resultados, fontes citadas pela Reuters apontam para um volume de negócios de cerca de 100 mil milhões de yuan (12,9 mil milhões de euros) em 2021.

A retalhista produz os seus artigos na China, onde contabiliza 5.400 subcontratados, e vende online nos EUA, Europa e Ásia, com exceção da China. O modelo de negócio é sob encomenda e apoia-se numa grande flexibilidade, que lhe permite aumentar rapidamente a produção de artigos com muita procura e deixar cair produtos com vendas abaixo do esperado. A Shein afirma que esta forma de trabalhar ajudou-a a consistentemente atingir taxas médias muito reduzidas, de um único dígito baixo, de inventário não vendido.

A Shein tem sido frequentemente acusada de concorrência desleal, sobretudo nos EUA, onde beneficia da legislação fiscal, sob a chamada provisão “de minimis” que isenta produtos baratos de taxas – uma regulamentação que está atualmente a ser alvo de debate no Congresso, com os críticos a afirmarem que permite que as empresas evitem impostos mais elevados sob os bens produzidos na China.

A empresa foi avaliada em mais de 60 mil milhões de dólares numa ronda de financiamento privada de 2 mil milhões de dólares que teve lugar em março, tornando-a maior do que a H&M, que está avaliada em 27 mil milhões de dólares, embora mantendo-se abaixo da Uniqlo (80 mil milhões de dólares) e da Inditex (126 mil milhões de dólares), destaca a Reuters.