Shein duplica lucros

A retalhista online movimentou, no ano passado, cerca de 42 mil milhões de euros em produtos, o que gerou um lucro superior a 1,8 mil milhões de euros, mais do dobro dos cerca de 650 milhões de euros de 2022.

[©Shein]

Os números avançados pelo Financial Times, que teve acesso a um documento de financiamento da retalhista, revela vendas de artigos na ordem dos 45 mil milhões de dólares (cerca de 42 mil milhões de euros) e um lucro superior a 2 mil milhões de dólares, surgindo numa altura em que a retalhista está a ponderar uma entrada na Bolsa de Valores, em Nova Iorque ou Londres.

A Shein, segundo o jornal, está a aguardar a aprovação das entidades reguladoras em Pequim e Washington para lançar uma IPO (oferta pública inicial), que deverá ser a maior do ano. Na mais recente ronda de financiamento, a retalhista foi avaliada em mais de 60 mil milhões de dólares (cerca de 55,4 mil milhões de euros).

Apesar de ter sido lançada apenas em 2008, a Shein é atualmente uma das empresas de vestuário mais rentáveis do mundo, tendo lucros superiores à H&M, à Primark e à Next. Ainda não ultrapassou a retalhista espanhola Inditex, que no último ano fiscal registou um lucro de 5,38 milhões de euros. No início deste ano, contudo, os dados da GlobalData apontavam para que a Shein possa ultrapassar a retalhista espanhola nas vendas no Reino Unido em dois ou três anos.

Mas embora a retalhista tenha expandido rapidamente o seu império na moda, nomeadamente com a compra de um terço do Sparc Group, que detém a Forever 21 e a aquisição da propriedade intelectual da Missguided, pertencente ao Frasers Group, as suas ambições ultrapassam o vestuário. Além de ter aberto a sua plataforma a outras marcas, a Shein pretende oferecer a sua cadeia de aprovisionamento como um serviço a marcas e designers externos, marcando uma mudança na sua estratégia de negócios que a afastará ainda mais da concorrente Temu. A retalhista tem igualmente feito incursões para produzir no Brasil e, potencialmente, no México.

Apesar de ter transferido a sua sede para Singapura, a empresa, que foi fundada na cidade de Nanjing, faz todas as suas vendas fora da China, e continua a gerir a maior parte do negócio a partir do país de origem, aproveitando algumas benesses como a regra de minimis. No final de 2022, a Shein tinha 10.382 funcionários na China Continental, que trabalham para mais de uma dúzia de subsidiárias em todas as áreas, da logística à programação, de acordo com a empresa fornecedora de dados Tianyancha.

Xu Yangtian, o fundador, conhecido também como Sky Xu, nasceu há 40 anos na China, mas, tal como a empresa, mudou-se para Singapura. Detém 37% da Shein, de acordo com documentos apresentados nos EUA. Outros grandes acionistas incluem a Sequoia China, agora HongShan, a General Atlantic e o Mubadala, o fundo soberano de Abu Dhabi.