SGL preparada para vender negócio de fibras de carbono

Face à redução da procura, nomeadamente no mercado da energia eólica, a empresa, que em Portugal detém uma fábrica no Lavradio, coloca a hipótese de desinvestir parcial ou totalmente nesta área de negócio.

[©SGL Carbon]

A SGL Carbon está a avaliar diversas opções estratégicas para a sua unidade de negócios de fibras de carbono, incluindo o desinvestimento parcial ou total. Em comunicado, a empresa refere que, numa primeira etapa, os potenciais interessados ​​serão abordados e munidos dos dados gerais da unidade de negócio para determinar o seu interesse numa aquisição. Havendo interesse suficiente, será realizado um processo estruturado de transação.

Nos primeiros nove meses de 2023, a unidade de negócio de fibras de carbono registou um prejuízo operacional, com vendas de 179,6 milhões de euros e resultados antes de impostos de 10,9 milhões de euros, representando 21,9% do negócio global do grupo SGL. Os valores representam uma quebra face aos números do mesmo período do ano anterior, em que as vendas atingiram 269 milhões de euros e os lucros chegaram aos 27,9 milhões, representando 31,5% dos negócios do grupo.

«Após a reestruturação entre 2020 e 2022, a SGL Carbon está a preparar-se para a próxima etapa de crescimento lucrativo», afirma Torsten Derr, CEO da empresa. «Posicionamos a SGL Carbon de tal forma que as quatro unidades de negócios operacionais possam ter sucesso de forma independente nos seus mercados. Para melhor explorar o potencial de desenvolvimento das nossas fibras de carbono, estamos atualmente a avaliar todas as opções, incluindo um desinvestimento total. Procuramos um parceiro ou novo proprietário que possa fornecer os recursos necessários para desenvolver ainda mais o negócio e posicioná-lo com sucesso para o futuro», sublinha.

A unidade de negócios de fibras de carbono produz fibras têxteis, acrílicas e de carbono, bem como materiais compósitos em sete localizações na Europa e na América do Norte, incluindo na fábrica situada no Lavradio (ex-Fisipe).

[©SGL Carbon]
A SGL aponta que, após a quebra temporária na procura de fibras de carbono no importante mercado da indústria eólica, as vendas e os lucros da unidade de negócio caíram significativamente em 2023. No entanto, devido à importância da indústria eólica para o Pacto Ecológico Europeu, a SGL Carbon e muitos especialistas presumiram que a indústria eólica se recuperaria rapidamente. Infelizmente, isso não aconteceu «e mesmo que a procura aumente, a empresa acredita que o negócio de fibras de carbono necessitará de recursos adicionais para se manter competitivo no mercado internacional e para explorar as oportunidades da melhor forma possível», destaca em comunicado.

«Enquanto Administração, é nossa responsabilidade fazer o melhor uso possível dos recursos da empresa no interesse de todos os stakeholders, para criar as condições para um futuro crescimento lucrativo e um aumento no valor da empresa», resume Thomas Dippold, diretor financeiro da SGL Carbon.