Sexta-Feira Negra Positiva

Este curioso nome advém do facto de, tradicionalmente, este ser o dia que marca a altura em que os retalhistas americanos saem do vermelho (red=prejuízos) e entram no preto (black=lucro). Uma espécie de break-even point. Por esse facto e por os consumidores americanos dedicarem este dia para iniciarem as suas compras, o volume de vendas atingidas serve como barómetro para o resto do ano e poderá significar a diferença entre um ano de bons ou maus resultados. Este ano e, apesar dos receios de abrandamento económico e de redução no ritmo de crescimento do consumo, a sexta-feira negra surpreendeu pela positiva. De acordo com dados da ShopperTrak, empresa dedicada à análise das vendas de retalho no mercado norte-americano, o crescimento das vendas situou-se em torno dos 8,3%, quando comparado com o mesmo dia de 2006. O volume de vendas cresceu, assim, dos 9 mil e 500 milhões de dólares de 2006 para um total de 10 mil e 300 milhões de dólares de vendas efectuados na passada sexta-feira. Estes resultados são tão mais surpreendentes quando as expectativas de crescimento se situavam em torno dos 4%. «É de facto um número muito forte. Não podemos ter uma boa época de compras se esta não começar bem», disse Bill Martin, co-fundador da ShopperTrak, quando se referia ao crescimento ao longo de todos os Estados. Para o analista, estes dados são muito encorajadores quando comparados com os números de Setembro e Outubro. «Nessa altura, as lojas estavam vazias». Alguns retalhistas, como a J.C. Penney, em declarações efectuadas no sábado, referiram um forte aumento das vendas em todas as categorias, com especial destaque para a joalharia e o vestuário. Apesar deste início auspicioso, os retalhistas são cautelosos quanto ao valor global de toda a época. Os consumidores ainda têm nas suas mentes os receios da recente crise do crédito hipotecário. Os resultados agora divulgados são muito encorajadores para os retalhistas que passaram os últimos meses a debaterem-se com “vendas anémicas”. Com os consumidores, com realce principal nas classes de rendimento mais baixas, a serem mais frugais apesar do aumento dos preços de produtos essenciais, tais como a energia e os alimentos, e do aumento dos custos de crédito, os retalhistas podem ter motivos para esperar uma boa época de vendas. Devido aos receios de um abrandamento do consumo, as principais cadeias de retalho, num sinal de desespero e preocupação, iniciaram a época com horários de atendimento alargados. Cadeias como a J.C. Penney e a Kohl’s abriram as portas às 4 da manhã (uma hora mais cedo do que em 2006) e mantiveram-se abertas até à meia-noite. A estratégia parece ter resultado, visto os clientes terem invadido as lojas em número recorde durante todo o dia, desde a madrugada até ao período nocturno alargado. Para além de servir como importante barómetro para o resto da época, a “Black Friday” tem também uma importante função demonstrativa do mix comercializado pelos retalhistas. O que os consumidores vêm neste dia é uma importante referência para o que vão comprar até ao Natal.