Serenidade e Consciência na 17ª edição da FILO

A estação Outono–Inverno 2003-2004 foi antecipadamente apresentada na 17ª edição da FILO, feira internacional de fios, fibras, design têxtil e acabamentos, agendada este ano para Março, na bela cidade de Como, em Itália. Sob a égide da Serenidade e Consciência, conceitos que permitem atenuar o contexto de insegurança e incerteza provocado pelos acontecimentos de 11 de Setembro, os representantes de algumas das mais relevantes empresas, criteriosamente seleccionadas pela organização, puderam apresentar as sua colecções cuidadosamente preparadas nos últimos seis meses. O ambiente bucólico do espaço da Villa Erba, magnificamente aproveitado pela organização da Filo – a feira decorreu numa moderna e sóbria estrutura arquitectada nos anos 70 ladeada pelo imponente solar da câmara de Como, antiga residência do realizador italiano Luchino Visconti – permitiu a 70 empresas italianas e 24 do resto da Europa e Japão, desfrutarem da necessária serenidade para a aguardada apresentação e negociação das colecções. Mais de 92 jornalistas responsabilizara-se pela cobertura do evento e o ICE- Instituto nazionale per il Commercio Estero, encarregou-se de estabelecer os contactos de promoção do têxtil italiano a todos os visitantes. A expectativa era grande num contexto de recuperação da crise que também afecta a fiação e tecelagem, não descurando ainda o agravamento dos custos das matérias primas, designadamente um aumento de 40% do preço da lã. A tarefa da FILO de dinamização comercial deste sector ainda um pouco atordoado colheu os devidos frutos, tendo a redução do numero de visitantes desta edição sido em parte compensada, segundo as empresas presentes, pela qualidade dos mesmos. «Tivemos poucos visitantes mas bons, e todos muito profissionais», salientou Carlo Boselli da Mario Boselli Yarns ao Jornal Têxtil (JT). «O adiantar da data confirmou ser uma grande vantagem», acrescentou. A FILO teve 3212 visitantes, menos 15,8% relativamente à edição de Abril de 2001, representando 1398 empresas. Os países estrangeiros mais representados foram a Alemanha, a França e a Espanha e verificou-se o regresso de alguns ausentes na 16ª edição, como Canada, Lituânia e o México. Portugal apresentou-se com 26 visitantes, representando 14 empresas, e para a selecta lista dos expositores convidados para a próxima edição «prevê-se a presença da Somelos», adiantou Sabrina Botalla, project manager da FILO ao JT. «A ITV portuguesa é muito importante e queremos aprofundar o conhecimento desse mercado. Há aqui uma selecção criteriosa prévia, pois só os fiandeiros lideres é que são convidados. Têm que ser inovadores e ter qualidade. É um nicho de mercado pois temos uma oferta seleccionada. Creio que 90 a 100 expositores seria o ideal, pois só apostamos nos melhores», acrescentou Botalla, consubstanciando a qualidade como denominador comum entre expositores e visitantes. «O que se perdeu em quantidade ganhou-se em qualidade», afirmou Michele Pozzi, da Silk 2000, uma importante produtora de seda. «No primeiro dia tivemos mais visitantes italianos e no segundo mais estrangeiros. Em relação ao 11 de Setembro, creio que as pessoas não sabem a quem comprar ou com quem desenvolver as colecções, querem decidir mais tarde, e por isso vão visitando as feiras». «A feira correu muito bem pois os clientes são muito interessantes e um dos mercados que mais nos interessam é o europeu, embora o nosso produto seja um pouco caro», salientou Yasushi Yamada da Nitto Boseki, uma empresa japonesa especializada em fibras elásticas. A satisfação com os novos moldes da feira foi uma constante, «foi uma feira muito interessante para os tecelões. Estamos cá pela quarta vez e estamos muito satisfeitos. Há clientes nos nossos mercados que ainda não conhecemos, mesmo com agentes nesses países. Portugal é um país interessante e temos lá um agente. É muito importante a presença nesta feira porque estão cá compradores de muitos países e como temos uma forte componente de exportação, é uma ocasião para mostrar os nossos produtos ao mundo», referiu Renato Gaeta da empresa de lanifícios belga Utexbel. «A data também está melhor. Em relação ao 11 de Setembro, vê-se que num período de expectativa as pessoas em vez de aparecerem logo nos seus fornecedores habituais preferem visitar as feiras e depois decidir», acrescenta. A tónica na qualidade dos visitantes foi palavra de ordem com a espanhola Torcidos Ibéricos a confirmar que «aqui os clientes sabem o que querem. Um dos principais mercados têxteis está em Itália e temos que marcar presença, tal como fazemos na Expofil. A feira teve bom movimento sendo o segundo dia o mais forte», adiantou Charlotte Billiet responsável pelo marketing da empresa que trabalha regularmente com a Riopele e com a Sidónios Malhas. Gloria Penati da italiana Olcese salientou ao JT que «no primeiro dia não estavam muitos visitantes, mas trabalhou-se e foi proveitoso. Os clientes estão muito seleccionados, o que é bom. O segundo dia foi melhor». «As pessoas estão à procura de mais conforto na moda íntima, e procuram cada vez mais a mistura do nylon com algodão ou lã», acrescentou. Com uma forte presença internacional, a feira permitia ao ICE – com responsáveis por três diferentes mercados nesta feira – apresentar e promover o têxtil italiano, sendo «importante ter uma presença institucional neste eventos para potenciais projectos a desenvolver em conjunto», salientou Luísa Duarte da delegação portuguesa deste organismo. «A FILO é uma feira de alto nível, não só pela organização – vê-se que foi tudo pensado na perfeição – como pelo próprio espaço e pelas condições criadas para o negócio. É preciso distinguir um serviço standard de um personalizado, onde as empresas, expositoras e visitantes, dizem o que querem e põem os contactos a funcionar. Poderá não ter muito movimento porque quem lá vai sabe para o que vai», acrescenta. «O nosso país, embora apresente cada vez mais qualidade, tem em Itália muitos modelos a seguir, e daí a importância de um intercâmbio efectivo, quer comercial quer de know-how entre estes dois importantes protagonistas no têxtil mundial».