Semeia-se mas não se colhe

Em Trás-os-Montes um conjunto de agricultores não podem aceder aos subsídios para a produção de linho. Isto, porque algumas das variedades de sementes da região que são utilizadas não constam do Catálogo Nacional, o que não permite a atrubuição de nenhum tipo de compensação. Para tentar ultrapassar esta situação a a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, juntamente com o Parque Natural do Alvão e a Associação de Desenvolvimento Rural Integrado do Vale do Póio (ADRIPÓIO), estão a desenvolver um projecto de investigação para identificar as sementes utilizadas na cultura. A zona em questão, é uma área de cultivo com cerca de um hectare situada em Ribeira da pena, e reúne as condições ideais tanto de solo como de clima para a produção de linho. Contudo, e com o passar dos anos a tipicidade e características das sementes usadas em Ribeira de Pena foram-se perdendo. O presidente da ADRIPÓIO, Luis Brandão, explica que «há muitos anos, os produtores de linho apostavam nas variedades Outono-Inverno, por proporcionarem um ciclo mais longo de cultura. Hoje já não é assim. As pessoas começaram a comprar sementes em vários lados, e optam pelas de ciclo mais pequeno, ou seja, Primavera-Verão. Com isto, perdeu-se de facto a identidade das nossas sementes. E acabamos agora, por não saber quais as variedades que estão a ser cultivadas”. Na opinião de Luis Brandão, logo que «seja possível identificar e inscrever as variedades das sementes no Catálogo Nacional a área de cultivo aumentará, com reflexo imediato na produção do linho». A produção de linho emprega centenas de pessoas, e para além disso é uma actividade apoiada por várias cooperativas. Nesta região já existem duas, a de Limões e de Cerva, cujos trabalhos em linho (toalhas, colchas e lençóis) são alvo de uma forte procura a nível nacional. Nas palavras de Luis Brandão, «ainda há muitas potencialidades do linho por explorar». Por exemplo: a produção de pano liso em linho para a indústria de confecções seria um factor de desenvolvimento do sector. Só no concelho de Ribeira de Pena, o valor da produção/ano de tecido, ronda os 150 mil euros. Por exemplo, um pano de linho a 100% com ‘um metro linear’ e 80 centímetros de largura, ronda os 50 euros.