Semana do Leste Europeu debateu ITV

Decorreu em Lisboa, entre 17 e 21 de Junho, a Semana do Leste Europeu, evento promovido pelo ICEP Portugal. Esta iniciativa teve como grande objectivo sensibilizar e motivar o tecido empresarial nacional para os mercados do leste da Europa. Integrado nesta semana, teve lugar no dia 20 de Junho, no centro de reuniões do Parque das Nações, o painel «O Sector Têxtil e do Vestuário: Perspectivas e Oportunidades». Este «workshop» temático contou como oradores, representantes da Polónia e da Bulgária, além do delegado do ICEP na Hungria. Assim, Jerzy Garczyński, da Federação Polaca dos Têxteis e Vestuário, apresentou as principais características do mercado dos têxteis neste país. A Polónia tem 38,6 milhões de habitantes e conta com uma taxa de desemprego na ordem dos 17,4%. A sua Balança Comercial em 2001 foi deficitária em cerca de 14,1 milhões de dólares (cerca de 14 milhões de euros), tendo as exportações para a Europa crescido 16,9% neste período. No que se refere à indústria têxtil e do vestuário, neste país existiam no ano passado 621 empresas de vestuário com mais de 50 funcionários (menos 5,2% que em 2000), enquanto as empresas têxteis eram 328, menos 1,5% que no ano anterior. Em termos das exportações da ITV polaca, em 2001 a indústria de vestuário foi responsável por 2.079 milhões de euros de vendas, tendo os têxteis vendido um total de 2.071 milhões de euros. Os principais clientes da indústria têxtil polaca são os Estados Unidos, a Roménia, a Tunísia e Marrocos, além dos próprios compradores da Polónia. O representante da Bulgária foi Robert Alexandrysky, presidente da Associação Búlgara das Empresas Têxteis e Vestuário, que descreveu também a indústria têxtil deste país do leste europeu. A Bulgária tem 7,8 milhões de habitantes, um rendimento bruto total de 13,5 biliões de euros, uma taxa de desemprego de 17,3% e uma taxa de inflação na casa dos 7,4%. As suas exportações em 2001 totalizaram 5 biliões de euros, dos quais 1 bilião foram em têxteis e vestuário, tendo como principais destinos a União Europeia (80%) e os Estados Unidos (10%). Neste país existiam no ano passado 3.000 empresas têxteis, que empregavam um total de 136.000 pessoas. Em termos dos pontos fortes do mercado búlgaro, há a destacar a proximidade com os grandes mercados europeus, a boa qualidade da sua produção, os custos de produção razoáveis e uma força de trabalho experiente e laboriosa. Como pontos fracos, uma gestão empresarial (ainda) com orientações comunistas, a falta de capacidade ao nível de marketing e de conhecimentos de línguas estrangeiros e a falta de capitais para investimentos e para a renovação dos equipamentos industriais. No entanto, a Bulgária oferece boas oportunidades de cooperação na área dos têxteis e do vestuário, nomeadamente no âmbito da produção local, tendo em vista a entrada em mercados terceiros, do licenciamento do fabrico para as grandes marcas e da venda de matérias-primas principais e secundárias. Por fim, Joaquim Pimpão, delegado do ICEP em Budapeste, traçou um quadro da indústria têxtil na Hungria. Neste país de 10 milhões de habitantes, o sector têxtil tem um peso pequeno no mercado empresarial total, representando apenas 6% do emprego, 2% da produção industrial e 5% do total das exportações. A ITV na Bulgária é assim caracterizada por uma elevada percentagem de micro e pequenas empresas de baixa produtividade, que representam 86% do total de unidades, sendo igualmente fraco o papel das empresas médias com reais capacidades de desenvolvimento a médio e longo prazo (apenas 9%). No que diz respeito à evolução da produção de têxteis e vestuário na Hungria, a percentagem do vestuário masculino aumentou consideravelmente nos últimos anos, à medida que a quota de vestuário feminino diminuía, sendo ainda de referir a importância dos artigos em malha, devido às encomendas da subcontratação e do trabalho à peça. Quanto à presença portuguesa no mercado húngaro, segundo este responsável do ICEP ela afigura-se difícil, apesar do potencial de cooperação existente. Como pontos fortes deste país, há a destacar a boa preparação e a elevada margem de evolução das empresas húngaras, o elevado nível escolar da sua população, o cumprimento dos prazos de entrega, o trabalho flexível e de qualidade e a significativa concentração da capacidade produtiva. No que concerne aos seus pontos fracos, podemos apontar a pouca motivação da mão-de-obra especializada, a falta de capital, o reduzido mercado interno, a desconfiança perante os artigos nacionais húngaros e a excessiva capacidade produtiva existente. As apresentações da Polónia e da Bulgária encontram-se disponíveis no Portugal Têxtil.