Seis formas rentáveis para a indústria da moda descarbonizar

Um novo estudo da McKinsey sugere que as empresas poderão reduzir as suas emissões de gases com efeito de estufa em mais de 60% investindo apenas 2% das suas receitas.

[©Pixabay-Marcin]

Muitas empresas da indústria da moda, grandes ou pequenas, assumiram compromissos públicos ambiciosos para criar vestuário mais sustentável até 2030. Contudo, refere a McKinsey & Company, cumprir essas metas tem sido difícil.

Cerca de dois-terços das marcas, segundo a mais recente análise da consultora, estão aquém dos seus próprios prazos de descarbonização, e 40% registaram, na verdade, um aumento das suas emissões desde que assumiram os compromissos. «Um aumento na intensidade das emissões pode ser causado por uma série de fatores diferentes, como vendas mais altas de produtos tendência, sobreprodução causada por desafios de gestão da procura e uma maior dependência de transportes aéreos e rodoviários devido às perturbações na cadeia de aprovisionamento», enumera.

Apenas 37% das marcas «estão no caminho certo» para atingir os seus objetivos de descarbonização até ao fim desta década, «assumindo que continuam a reduzir a intensidade das suas emissões ao ritmo atual», indica.

«Há um sentido de urgência particular para a moda reduzir as emissões o mais rapidamente possível, uma vez que vários países que devem sentir maior devastação por causa das alterações climáticas são essenciais para a cadeia de valor da moda», aponta a McKinsey & Company, dando conta de eventos meteorológicos extremos em países como o Bangladesh, a China, a Índia e o Vietname.

«Acelerar a redução [das emissões] sem afetar a indústria é possível», realça a consultora. «A nossa pesquisa mostra que a maior parte das marcas de moda pode reduzir as suas emissões de gases com efeito de estufa em mais de 60% por menos de 1% a 2% do seu volume de negócios», refere.

A McKinsey & Company identificou seis desafios que tornam a transformação sustentável complexa para as marcas de moda e que terão de ser ultrapassados para que estas possam atingir os seus objetivos, nomeadamente manter a sustentabilidade como prioridade, mesmo em tempos de incerteza e dificuldades conjunturais, colocar as questões da sustentabilidade no centro da empresa e inerente a todo o modelo de negócio, compreender profundamente a pegada de carbono dos fornecedores, falta de transparência da cadeia de aprovisionamento, dificuldades na execução das estratégias delineadas e uma cadeia de fornecimento complexa.

«Mesmo com estes seis desafios, a moda pode, na verdade, estar bem posicionada para atingir os seus objetivos de descarbonização», acredita a McKinsey & Company, que sublinha que «a maior parte dos custos e do valor acrescentado na moda resultam de atividades baixas em carbono, como o design e o marketing, ao mesmo tempo que as emissões estão concentradas em poucas atividades, como a produção de matérias-primas, o transporte e o processamento a húmido».

A McKinsey lista seis ações que podem ajudar a acelerar a descarbonização da moda: criar valor comercial com as investidas na sustentabilidade, nomeadamente na comunicação com o cliente; focar-se na transição das matérias-primas, optando por alternativas mais amigas do ambiente, como as fibras recicladas e de base bio, e na transição energética dos fornecedores, optando por empresas que usam energia fotovoltaica e equipamentos mais eficientes; criar um roadmap claro e detalhado; ter dados fidedignos e precisos, para permitir avaliar a evolução; melhorar a execução e a gestão da transformação, com uma abordagem baseada em ações; e fazer parcerias e estabelecer colaborações orientadas para a ação. «Todo o ecossistema de moda vai precisar de colaborar para que os objetivos de descarbonização da indústria se tornem realidade», resume a consultora.

«Para a indústria da moda, a parte difícil de se tornar mais sustentável não é decidir começar a jornada, é manter o progresso. É aí que os verdadeiros líderes se revelam», conclui a McKinsey & Company.