Segunda-mão substitui compra de artigos novos

Os clientes da Humana Portugal estão a adquirir vestuário usado em vez de comprarem peças novas. No ano passado, a especialista em recolha e comercialização de vestuário em segunda-mão vendeu mais de 2,2 milhões de artigos.

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A conclusão foi retirada de um inquérito realizado online a quase mil clientes da Humana Portugal, com o objetivo de avaliar a experiência em loja, assim como hábitos e motivações dos consumidores de moda em segunda-mão.

Os inquiridos revelaram que as peças em segunda-mão substituíram a aquisição de vestuário novo em 93%. A Humana Portuga, que no verão inaugurou a sua 21.ª loja, explica que «a taxa de substituição corresponde ao grau em que a compra de vestuário em segunda-mão substitui a compra de artigos novos similares» e que «a compra de um artigo em segunda-mão pode ser complementar à compra de um artigo novo semelhante e não prevenir esse ato de consumo».

O resultado do inquérito – que apurou uma taxa de substituição de 93% – significa que 93% dos clientes que compram um artigo na Humana deixam efetivamente de comprar um artigo novo semelhante numa loja convencional.

«Esta taxa de substituição de 93%, ainda que relativamente alta, é coerente com outros estudos semelhantes», revela a Humana Portugal, que cita um inquérito de 2022 promovido pela plataforma de venda online Depop junto dos seus clientes que apurou taxas de substituição de 88% nos EUA, 90% no Reino Unido e 92% na Austrália.

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A organização refere igualmente um relatório da Confederação Europeia das Indústrias de Reciclagem de janeiro de 2023 sobre a avaliação do ciclo de vida dos têxteis usados de origem europeia, que aponta que a reutilização é melhor para o meio ambiente do que a produção de vestuário novo «e, na maioria dos casos, também melhor do que a reciclagem».

Em média, indica, o impacto ambiental da reutilização de têxteis é 70 vezes menor do que a produção de peças novas, mesmo quando contabilizado o impacto global das exportações para reutilização, incluindo as emissões de CO2 geradas pelo transporte.

«Tudo isto demonstra que a peça de roupa mais sustentável é a que já foi fabricada e que a economia circular da moda começa pela reutilização. De notar que em 2022 as lojas Humana venderam cerca de 2,2 milhões de artigos» em segunda-mão, sublinha a Humana Portugal.

As razões mais invocadas pelos consumidores para comprar na Humana são o benefício ambiental (73% dos inquiridos), logo seguido pelo valor estético das peças (72%).

Além disso, 47% dos inquiridos diz possuir um guarda-roupa composto maioritariamente por roupa de segunda-mão. A doação, venda ou troca de roupa é um hábito muito prevalente entre os clientes (86% diz fazê-lo sempre ou frequentemente). Já o recurso a serviços profissionais para alteração ou reparação é pouco frequente ou inexistente para 67% dos inquiridos.