Schoeller oferece mais sustentabilidade

Fios sem tingimento, misturas de fibras recicladas com lã e a introdução de poliéster feito a partir da captura de CO2 fazem parte das propostas made in Europe da empresa para a indústria da moda.

Manuel Rodrigues e Markus Rothmund

Colors of Nature traduz um dos conceitos de fios mais sustentáveis que a Schoeller está a oferecer à indústria da moda. Produzido com lã ou alpaca, o conceito, explica, ao Portugal Têxtil, Markus Rothmund, gestor de fios para automóvel da empresa, «é uma ideia muito interessante, porque se integra absolutamente com a filosofia da Schoeller, porque não usa corantes, não usa químicos, não precisamos de usar mais energia e água para o tingimento».

Também o fio Sustainno está em linha com os princípios de sustentabilidade da empresa, recorrendo a uma mistura de lã merino (65%) com fibras de poliéster reciclado e sendo, no final de vida, degradável. «Tem um componente que degrada o poliéster, o que permite fazer produtos 100% degradáveis», indica Markus Rothmund, adiantando que o produto se degrada em aterro, mas também no mar.

Já o Polycolon Bio Based é «o próximo nível do nosso fio Polycolon standard, porque é feito a partir da captura de CO2», aponta.

A empresa austríaca, que em 2018 foi adquirida pela Indorama Ventures, mantém a produção no continente europeu e tem vindo a implementar medidas para reduzir a sua pegada de carbono. «A Schoeller tem muitos produtos e muitas preocupações com a natureza e a sustentabilidade», sublinha Markus Rothmund. «Não produzimos nada na Ásia: temos a tinturaria que foi transferida da Áustria para a Polónia e a fiação está na Chéquia. Estamos também certificados com a ISO 14001, somos uma empresa certificada Bluesign, temos certificação GOTS e RWS [Responsible Wool Standard]. Cobrimos praticamente todas as certificações do mercado. E desenvolvemos produtos com atenção a questões de sustentabilidade. Por exemplo, desenvolvemos um tratamento sem cloro para a lã, que é muito mais sustentável», enumera o gestor de produto.

Por isso mesmo, a legislação europeia não é algo que preocupe a Schoeller, que esteve na mais recente edição do salão português Modtissimo. «Somos uma empresa que produz na Europa e com certificações, como a RWS, que permitem fazer a rastreabilidade desde a fibra. Estamos preparados para cumprir tudo. A dificuldade vai ser a burocracia», acredita.

Para além dos fios para a indústria da moda, a oferta da Schoeller inclui igualmente propostas mais técnicas e funcionais, com incorporação de meta-aramidas e propriedades funcionais, como antiestáticos, assim como fios para transportes, incluindo automóveis e aviões.

Em Portugal, onde tem Manuel Rodrigues como representante, a Schoeller estava, até há pouco tempo, mais centrada no negócio automóvel. «Desde que começámos a trabalhar com o Manuel Rodrigues, o nosso foco começou a ser também o negócio da moda e fios funcionais. Sabemos que Portugal está muito centrado no lado do algodão, mas vemos que há agora muito a acontecer do lado da lã, em temos tecnológicos, nomeadamente na área da malha e, particularmente, no seamless», indica Markus Rothmund.

Apesar de estar a ser afetada pela conjuntura, as perspetivas de negócio da empresa no nosso país são promissoras. «Do ponto de vista do automóvel, tem havido crescimento, com uma enorme procura por têxteis para transportes públicos, assim como para automóveis. Do lado da moda, está tudo mais calmo. Mas é generalizado, não apenas em Portugal – está assim um pouco por toda a Europa e por todo o mundo. Vemos isso neste momento, mas, no geral, vejo um enorme potencial em Portugal», conclui.