Sangue novo

Ele desenhava para seduzir as mulheres e para que as mulheres seduzissem», afirma Mounir Moufarrige, falando de Emanuel Ungaro. Todo esse poder de sedução representa a própria imagem da casa. Quando aqui chegÁmos, encontramos uma marca com essa identidade ainda muito presente, o que constituiu uma grande vantagem. Mas as casas de moda também envelhecem ao longo do tempo. E a Emanuel Ungaro não é excepção. O seu fundador deixou-nos uma marca forte, conhecida no mundo inteiro, mas que precisa de ser rejuvenescida, de um novo fôlego» O homem de negócios libanês, convertido em accionista minoritÁrio da Ungaro, através do fundo de investimento Aimz, propriedade do americano-paquistanês Asim Abdullah, que a adquiriu em 2005, estÁ decidido a relançar a marca deficitÁria, cuja facturação estÁ estimada ente 60 e 70 milhões de euros, na alta-roda da moda de luxo. Em algumas das suas vidas anteriores, Mounir Moufarrige realizou alguns feitos notÁveis. À excepção do “episódio” France Luxury Group (Scherrer, Harel, Jacques Faith e Emanuelle Kahn), que fundou em 2002 e vendeu depois à Alliance Designers, Moufarrige colecciona sucessos: o renascimento da Montblanc (grupo Richemont) e, sobretudo, a renovação da Chloé, onde entrou no final dos anos 90 e tudo apostou na jovem “desconhecida” Stella McCartney. Como revela a história, a aposta foi mais do que bem sucedida. RepetirÁ ele a proeza com o novo e muito jovem estilista escolhido para a Ungaro. Esteban CortÁzar? O estilista é, em todo o caso, o elemento-chave da sua estratégia de relançamento. Não somos hoje necessÁrios», sustenta Mounir Moufarrige. Existe actualmente uma vasta oferta para todos os preços. Por consequência, precisamos de nos diferenciar para impormo-nos, provocar o desejo para sermos escolhidos». Com apenas 23 anos, Esteban CortÁzar, de origem colombiana mas criado em Miami, tinha jÁ a reputação de jovem prodígio nos EUA, um importante mercado para a Emanuel Ungaro. A sua própria linha, que ele acaba de suspender para melhor se consagrar à Ungaro, era vendida nas mais conceituadas departement stores, como a Neiman Marcus e Sacks Fifth Avenue. Actualmente instalado em Paris, o estilista colombiano trabalha em estreita colaboração com o seu mentor. CortÁzar possui uma grande maturidade apesar da sua juventude», sublinha Mounir Moufarrige. Escolhi-o, em vez de um criador mais experiente, justamente porque estÁ a começar e é capaz de insuflar esse novo fôlego de que a marca precisa». Depois de ter injectado novas hormonas, seguir-se-Á uma estratégia de relançamento mais substancial: redinamizar os perfumes, desenvolver a linha masculina e expandir os acessórios. Sustentada na ampliação da rede de boutiques, a política de distribuição não é ainda tão forte como deveria ser», afirma Moufarrige. Actualmente, a casa possui apenas 3 lojas próprias no mundo: uma em Paris e duas nos EUA. A curto prazo, estão previstas duas novas aberturas para a capital francesa. A marca estÁ também presente em quinze franchizados: oito na Ásia, quatro no Médio Oriente e três na Rússia. Para jÁ, Mounir Moufarrige ganhou a sua primeira aposta: a estreia de Esteban Cortezar na Semana da Moda de Paris foi um sucesso (ver Moda a dois mil anos-luz), certamente o primeiro de muitos para a mais recente estrela do firmamento da moda de luxo, convertido em digno herdeiro de Emanuel Ungaro.