Salgado & Neto prepara o futuro

A aposta na economia circular, nomeadamente a reciclagem dos desperdícios da produção, faz parte dos projetos da empresa de vestuário, a que se juntam a adaptação para novos modelos de negócios, como o made-to-mesure e o bespoken.

Emília Salgado

«Os reciclados são importantes e o futuro passa por lá, não só por confecionar com matérias-primas recicladas, mas também pela possibilidade de as fazer, com o aproveitamento de tudo o que é resíduo», considera Emília Salgado, administradora da Salgado & Neto. A empresa que lidera tem já diversas certificações nessa área, incluindo a GRS – Global Recycle Standard, OCS – Organic Content Standard e RWS – Responsible Wool Standard. «A sustentabilidade é algo que está presente», afirma ao Jornal Têxtil.

A aposta na reciclagem faz parte da estratégia da empresa. A pandemia trouxe desafios acrescidos para a Salgado & Neto, mas não travou o ímpeto empreendedor da empresa fundada pelo marido de Emília Salgado no final dos anos 70. «Temos que lutar e fazer o melhor que podemos, sabemos e conseguimos. Eu vou lutar e adaptar-me à situação que temos», garante a administradora da empresa.

Apontando setembro como o mês em que «as coisas vão melhorar», depois de um ano de 2020 em que se viu “obrigada” a sair do seu core business para produzir artigos para a área da saúde, o que permitiu encerrar o exercício passado com uma queda de 2,6% no volume de negócios, para 16,3 milhões de euros, a Salgado & Neto está empenhada em preparar o futuro e os projetos são muitos.

A empresa está vocacionada para o desenvolvimento do produto, tanto vestuário em tecido como em malha, contando com três unidades produtivas no grupo e cerca de 20 subcontratados para a produção das encomendas. «Fomos evoluindo lentamente. Começámos a trabalhar só com um tipo de produto e neste momento fazemos todo o tipo de artigo de homem e senhora. Hoje somos quatro empresas, com 450 trabalhadores [no total]», revela Emília Salgado.

Novos projetos em vista

França, Espanha, Itália, Inglaterra e Suécia são os principais mercados da Salgado & Neto, que exporta praticamente a totalidade da sua produção para clientes de gama média-alta, como a Massimo Dutti, mas quer explorar novas possibilidades. «Não podemos dizer “sempre fui assim, vou continuar assim”. Quem fizer isso não está bem. A situação mudou, o passado já passou, temos que ver o que é o presente e adaptarmo-nos a ele», acredita a administradora.

É nesse sentido que há planos para retomar alguns projetos que foram deixados de lado com a pandemia, como a produção made-to-measure, que implica alguma customização das peças, e bespoken, em que toda a peça pode ser customizada com as especificações do cliente. «Era algo que já estava em andamento, adiantado, e parou mesmo, mas vamos recomeçar. Agora faz muito mais sentido – vamos ter [depois da pandemia] clientes muito mais exigentes», sustenta Emília Salgado.

Retomar e reposicionar a marca própria Salvatti está igualmente nos planos.

Mas a maior preocupação, confessa Emília Salgado, é com as pessoas. «Temos pessoas que trabalham aqui comigo há mais de 40 anos, que estão agora a reformar-se. A preocupação desta empresa passa sempre pelos trabalhadores», salienta.