ArquivoSacos eco-chiques Parte 2 Outubro 26, 2007 Facebook Twitter WhatsApp Linkedin Email Print A primeira parte deste artigo (ver notícia no Portugal Têxtil) analisou o fenómeno de moda que se tornou o "I Am Not a Plastic Bag", criado pela guru das carteiras Anya Hindmarch e a nova tendência ecológica da marroquinaria topo de gama, adoptada por nomes como Stella MacCartney, Hermès ou ainda Louis Vuitton. Nesta segunda parte revela-se o contra-ataque dos produtores de sacos de plástico – "I Am a Plastic Bag, and I Am 100% Recyclable" – através de uma arma eficaz, a reciclagem. Entretanto, legisladores em todo o mundo continuam a debater se devem taxar ou banir completamente estes produtos à base de petróleo – que os especialistas estimam que demoram 1.000 anos a se decompor.Reciclar como alternativaVai ser uma batalha crescente. Os sacos de plástico têm os seus próprios lobbies, que não apreciam sermões vindos das passerelles. A Progressive Bag Alliance, que representa os maiores produtores de sacos de plástico, sustenta que os sacos não são o problema. Deitá-los ao lixo é que é. Numa tentativa para virar o jogo contra o movimento eco-chic, a associação começou uma campanha anti-Hindmarch pouco subtil ao colocar a sua assinatura do produto – usando um estampado muito semelhante ao do famoso saco da estilista – com uma mensagem insolente: "I Am a Plastic Bag, and I Am 100% Recyclable" ("Sou um saco de plástico e sou 100% reciclável"). A questão é que a Califórnia é um dos poucos lugares a exigir às lojas que providenciem a reciclagem de sacos de plástico e a indústria têm respondido lentamente aos estímulos que vão noutro sentido. Menos de 1% dos sacos são reciclados nos EUA, de acordo com o Worldwatch Institute, sedeado em Washington. As maiores cadeias como a Giant Foods estão a tentar melhorar as estatísticas dando descontos aos clientes que devolvem os sacos plásticos para reciclar, apesar de poucos consumidores aproveitarem a oportunidade. Em Março, a Ikea começou a cobrar cinco cêntimos de dólar por cada saco de plástico e a vender um saco de compras reutilizável por 59 cêntimos de dólar. Apesar de ser ainda muito cedo para dizer como é que esta estratégia afectou os consumidores americanos, um programa semelhante lançado no Reino Unido no ano passado reduziu o consumo de sacos de plástico em 95% A Irlanda declarou um declínio semelhante desde que o país instaurou uma "plastitaxa" de 20 cêntimos por cada saco em 2002.Sacos de design podem tornar estas taxas e proibições mais "agradáveis". Mas até Hindmarch admite que o seu saco de compras tem os seus limites. «Tenho cinco filhos», explica, o que faz com que seja necessário muitas mercearias – e ela ainda não está disposta a abdicar de um saco de plástico quando traz para casa peixe ou outros artigos que podem verter. Mas a combinação de um look moderno e carteiras pequenas pode levar a uma mudança real. Milhares de compradores acamparam em Dublin no passado mês de Julho para conseguirem um saco Hindmarch. E muitos destes sacos ecológicos e na moda de 15 dólares foram vendidos no eBay por mais de 400 dólares. O que significa que este ano o slogan ambiental poderia ser reduza, reutilize, revenda. Entretanto, o fenómeno "I am Not a Plactic Bag" continua a fazer vítimas, mesmo entre as celebridades. As actrizes Keira Knightley e Reese Witherspoon, assim como as top models Petra Nemcova e Lily Cole já não saem à rua sem o seu saco de "não plástico".