Para a mulher que quer estar na moda, cada estação tem a sua carteira. Blogs de compras, horas de almoço e episódios completos do "Sexo e a Cidade" são dedicados à discussão das listas de espera, das filas enormes e dos subornos aos vendedores certos para ter uma visão antecipada das carteiras Birkin, Marc Jacobs, Balenciaga ou Fendi mais requisitadas. Por isso, quando a mais recente criação must-have, desenhada pela guru britânica das carteiras Anya Hindmarch, foi posta à venda em Inglaterra, no passado mês de Abril, não foi assim tão descabido que as fãs devotas tenham feito fila a partir das duas da manhã ou que todas as 20.000 desejáveis peças tenham desaparecido logo às 9 horas. Estranho foi que, em vez de fazerem fila em frente das departement stores ou das lojas exclusivas, as fashion addicts tenham acampado à porta de um banal supermercado. E o saco em questão não era um dos luxuosos modelos de Hindmarch mas um saco de compras de 15 dólares desenhado para o transporte de mercearia para casa e estampado com a frase "I'm Not a Plastic Bag" ("Não sou um saco de plástico").O alvoroço em torno destes sacos de edição limitada – muitos dos que queriam o saco estiveram amontoados em Taipei, em Taiwan, em Julho, o mesmo mês em que uma multidão de fãs de Hindmarch forçou a polícia a fechar um centro comercial em Hong Kong – é o resultado de um esforço calculado para encorajar os consumidores a usar menos sacos de plástico descartáveis, dos quais cerca de 88 mil milhões são consumidos cada ano só nos EUA, com muitos deles a irem parar ao cimo das árvores, a entupir o saneamento das bermas das estradas e a matar pássaros e criaturas marinhas que os ingerem acidentalmente. Estilistas de renome no dia-a-diaAnya Hindmarch não é a única designer de topo – as suas criações custam geralmente milhares de dólares – a tentar melhorar o mundo de carteira em carteira. Quem também se juntou a ela na tentativa de persuadir as seguidoras da moda a trazer as suas mercearias para casa em sacos reutilizáveis foi Stella McCartney, a estilista inglesa – e filha de Sir Paul McCartney, ex-Beatle – cuja shopper de algodão orgânico está à venda por 495 dólares. A carteira collapsible silk da Hermès custa cerca do dobro, enquanto o saco para as compras da Louis Vuitton está à venda por uns espantosos 1.720 dólares. Claro que as pessoas que podem despender esses valores provavelmente não vão pessoalmente comprar mercearia. Mas Hindmarch acredita que esses símbolos da moda podem ter um efeito "de arrastão". «Houve uma altura em que o que era cool beber café e fumar cigarros. Agora é a vida saudável, e penso que a moda tem o seu papel nisso. As pessoas vêem fotos de modelos e celebridades, como Gwyneth Paltrow, a passear levando os seus tapetes de ioga e a garrafa de água e querem imitá-las».Mas ser o Prius dos sacos de plástico tem os seus inconvenientes. Depois da confusão em Taipei, as vendas do saco de Hindmarch foram canceladas em Pequim, Jacarta, Xangai e Singapura. E para juntar alguma ironia, alguns dos sacos "I'm Not a Plastic Bag" vendidos após o quase-motim em Hong Kong foram triplamente embrulhados em sacos de plástico para impedir que os novos donos fossem assaltados no caminho para casa.A segunda parte deste artigo analisa a questão da poluição causadas pelos sacos de plástico e apresenta a grande alternativa a esta luta: a reciclagem.











