Roupa inclusiva, um negócio solidário

A luta que os deficientes têm vindo a travar a diferentes níveis, como por exemplo, ao nível do ensino e ou do mercado de trabalho, resultou em leis e campanhas de inclusão. Agora, eles deparam-se com outro mundo em que enfrentam dificuldades, mas que também começa a adaptar-se: o da moda. E, segundo alguns especialistas, a indústria vai acordar para o potencial deste mercado. A ideia é que se comece a produzir peças de vestuário para pessoas portadoras de deficiência que reúnam conforto, beleza, que sejam funcionais e que proporcionem melhoria da qualidade de vida. Estes conceitos têm sido, até agora, distantes dos portadores de deficiência, uma vez que, em geral, as roupas são inadequadas. Chega-se, então, ao conceito das roupas inclusivas, que começam a chegar ao mercado e apresentam características muito próprias. Primeiro, têm de ser vestidas e despidas com maior facilidade. Assim, aparecem os elásticos na cintura, em vez de cós e botões, e os velcros no lugar dos fechos. Mas as roupas inclusivas têm características que vão além do que os olhos vêem, e técnicos espalhados por todo o mundo têm vindo a estudar as deformações e compensações necessárias na execução dos moldes, observando, por exemplo, as alterações dos planos e eixos do corpo e a actividade do grupo muscular. Também existem estilistas que começam a desenvolver roupas para serem “vistas” pelos deficientes visuais, com estampados texturizados, etiquetas em Braille que indicam a cor, ou tecidos com relevos em borracha, silicone e veludo, o que permite ao cliente “sentir” o que escolhe. No Brasil estão a ser dados passos muito importantes neste segmento. Na 5ª edição da Reatech, Feira Internacional de Tecnologias em Reabilitação e Inclusão, que decorreu de 6 a 9 de Abril, em S. Paulo, cerca de 30.000 visitantes puderam apreciar o destaque dão aos desfiles de moda, com cores, texturas, cortes e acabamentos desenvolvidos para os deficientes.