Romântica e feminina

Em Janeiro, à margem do calendário oficial dos desfiles de pronto-a-vestir de Paris, a Cacherel apresentou, num evento mais privado para compradores e imprensa, as suas propostas de moda. Um desfile que marca, sobretudo, o primeiro acto da mudança levada a cabo há já alguns meses. Ao lado de Jean Bousquet, fundador da marca francesa em 1962, Marc Ramanantsoa, chegado em Outubro passado, apresentou a colecção da «renovação». Linhas frescas e femininas, com uma forte tónica nos estampados Liberty. Vestidos em malha ou seda, caxemiras ou ainda sobreposições constituem uma boa parte do novo vestuário destinado a seduzir as mulheres dos 20 aos 35 anos. «A ideia é dar uma nova vida à marca, modernizar a sua imagem», explica Ramanantsoa. Trata-se de «voltar a um produto muito Cacharel», com «um lado muito inocente, poético, romântico». Porque a «mulher Cacharel», como precisa o novo director, é «feminina, francesa». Uma imagem seguida pelo gabinete de estilo responsável pelas criações. Após a valsa dos criadores que a marca francesa conheceu, a Cacharel está a renovar a sua imagem recorrendo ao anonimato dos seus estilistas. E deseja «pôr fim ao estrelato dos criadores, preferindo um gabinete de estilo dirigido por quatro pessoas». Quanto à escolha dos materiais, a casa de moda tomou o partido da qualidade. Procura, assim, uma «considerável subida de gama», mas insiste no facto de não se querer apoiar no preço». O essencial é «garantir uma excelente relação qualidade-preço», prossegue Marc Ramanantsoa, para «reencontrar a confiança dos clientes e fidelizá-los». Noutros termos, a Cacharel não tem intenção de aumentar os preços do seu pronto-a-vestir. Para conseguir esse objectivo, está a rever a estrutura completa da organização. Do lado da distribuição, a Cacharel começou por repensar o seu parque comercial. Em alguns meses, as duas lojas parisienses fecharam as portas, restando hoje as de Nîmes e de Avignon. Em França, um mercado que representa 10% do seu volume de negócios mundial – que ronda actualmente os 35 milhões de euros – e que quer reconquistar, a marca assenta a sua distribuição numa rede multimarca. O objectivo é reforçar a sua presença nas próximas «três a quatro estações», motivo pelo qual estão planeadas diversas aberturas antes do final de 2009. “Lojas teste”, que podem, a prazo, abrir caminho aos franchises, ainda em estudo. Quanto às vendas no estrangeiro, o Japão surge à frente como principal mercado, seguido da Coreia do Sul, do Médio Oriente e, por fim, dos EUA. As licenças constituem também uma boa parte do volume de negócios. A Cacharel quer, por isso, quadruplicar o seu número nos próximos anos. Actualmente conta com oito, compreendendo, entre outras, o pronto-a-vestir homem, a bijutaria, os óculos ou ainda os perfumes, confiados à L’Oréal, estando prevista a chegada de uma nova fragrância no segundo semestre de 2009.