Riopele: uma tradição com futuro

O Open Day da Riopele, que decorreu hoje, mostrou que, aos 90 anos, a empresa mantém a sua identidade, mas com os olhos postos no futuro.

José Alexandre Oliveira

Uma indústria tradicional que está a avançar para o futuro. O Open Day da Riopele, que teve lugar esta terça-feira na fábrica, mostrou o que é que a especialista em tecidos, que comemorou 90 anos em 2017 (ver Riopele joga na antecipação), está a fazer para impulsionar a investigação e desenvolvimento nos seus produtos, com uma série de iniciativas que já pesa 2% no total dos produtos de um grupo que até há pouco tempo não apostava em artigos deste tipo. Mas sem nunca perder o contacto com as origens, em dois moinhos, nas margens do rio Pele, pelas mãos do avô do atual presidente, José Alexandre Oliveira. «Estamos a reinventar este modelo de negócio que é muito antigo, mas que está sempre muito moderno. Uma grande maioria dos empresários continua cá, mudam ministros e secretários de estado, nós temos que estar sempre a contar as mesmas histórias», ironizou o presidente da Riopele.

Ana Teresa Lehmann

A secretária de Estado da Indústria, Ana Teresa Lehmann, garantiu que «a indústria têxtil está muito bem e recomenda-se. É de tradição e de futuro. Por vezes pessoas menos informadas falam de indústrias tradicionais como se não fossem progressivas», lamentou a governante, que marcou presença no evento.

José Alexandre Oliveira, por sua vez, salientou que «a moda hoje está na rua, e mesmo a comercialização está a ser modificada pelo online. As pessoas têm que estar conscientes do que a empresa e os clientes querem. Eu tenho uma equipa jovem e tenho que olhar para ela e ser capaz de ver que eles daqui a cinco anos serão os líderes da empresa».

A secretária de Estado também abordou a questão dos recursos humanos, que preocupa muitos dos empresários do sector. «Temos um problema demográfico e de orientação profissional e é fundamental captar os jovens para a dignidade de trabalhar na indústria. Devemos incutir nas novas gerações que trabalhar na indústria é algo que dá prestigio», afirmou.

Tecnologias e economia circular

Durante o Open Day, a Riopele deu conta de uma série de ideias que está a desenvolver para têxteis com propriedades avançadas e elaborados a partir de resíduos. Os projetos Nano.Smart, R4Textiles e Texboost têm ocupado, nos últimos anos, o departamento de investigação e desenvolvimento da empresa, em parceria com o Citeve, CeNTi e diversas instituições de ensino superior.

No primeiro caso, o objetivo é fazer, por exemplo, com que os tecidos sejam fáceis de limpar ou tenham boa solidez à cor (ver Nanosmart deu novos trunfos à Riopele).

O R4Textiles deu frutos que foram apresentados num desfile de moda no evento (ver A condecoração da Riopele). Numa parceria com o criador de moda Nuno Baltazar, a iniciativa passa pelo design de estruturas têxteis com base em resíduos de tecidos, sob a marca Tenowa. Este projeto pretende mesmo a valorização de resíduos agroalimentares.

Já o projeto mobilizador Texboost pretende uma maior desmaterialização e aposta na economia circular.

Estas iniciativas foram apresentadas por Albertina Reis, diretora de I&D da Riopele, José Morgado, diretor do departamento de tecnologia e engenharia do Citeve, e Carla Silva, diretora de I&D do CeNTi.

José Alexandre Oliveira reafirmou a aposta na renovação constante na empresa onde, até 2019, terá investido perto de 30 milhões de euros.

O diretor-geral do Citeve e CEO do CeNTi, Braz Costa, afirmou que «o sector está vivo. Estamos mais bem preparados do que quando os mercados se abriram a Ásia. Nenhum dos cenários maus que havia se concretizou».

Por se lado, José Marques dos Santos, presidente do IAPMEI, sublinhou que «é preciso tirar partido, aos diversos níveis e não pode haver nenhum empresário alheio ao esforço e oportunidades» de digitalização e modernização na indústria.