Riopele revê logística

Com exportações para 50 mercados, a empresa portuguesa está a usar rotas mais longas e a adaptar o sistema logístico para contornar as restrições causadas pela guerra na Palestina que estão a afetar o Canal do Suez.

[©Riopele]

A escalada do conflito no Médio Oriente e os ataques às embarcações no Canal do Suez levaram a Riopele a repensar o seu sistema logístico e a procurar novas rotas marítimas, indica a empresa.

«A guerra entre Israel e o Hamas, seguida dos ataques aos navios no Canal de Suez por parte do grupo Houthi, levou a que as grandes companhias marítimas desviassem a sua rota normal pelo Mar Vermelho para o sul de África, pelo Cabo da Boa Esperança», tendo como consequência direta o aumento do frete e do transit time, revela, no site da Riopele, Paulo Oliveira, diretor do departamento de compras da empresa.

Além disso, acrescenta, «o mau tempo e a agitação marítima que se verificou durante o primeiro trimestre do corrente ano, provocou o fecho de algumas barras marítimas, o que obrigou o desvio de alguns navios com paragem em Sines para outros portos marítimos, como por exemplo, o porto marítimo de Le Havre». Como tal, a Riopele «passou a viver uma nova realidade», sublinha, tendo em conta que os contentores provenientes da Ásia passaram a demorar 60 dias, em vez dos habituais 45 dias.

Esta não é, contudo, a primeira vez que a quase centenária empresa – em 2027 celebrará 100 anos – se vê obrigada a adaptar as expectativas dos clientes e a reorganizar-se. «Desde o início da guerra na Ucrânia o transporte de mercadorias para os países de leste diminuiu substancialmente», destaca Miguel Teles, diretor de logística da Riopele. Ao nível da importação, «o tempo de trânsito das matérias-primas aumentou consideravelmente, o que obrigou a repensarmos a estratégia de aprovisionamento, antecipando planos de compra de forma a minimizar eventuais riscos», aponta.

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O polo logístico construído em 2021 tem permitido à empresa colmatar algumas dificuldades. «Permitiu a centralização das operações logísticas, maximizando a produtividade das equipas e dos meios, otimizando os recursos e rotinas de trabalho», realça Miguel Teles, adiantando que o investimento garante «melhores condições de armazenagem dos principais materiais utilizados na fabricação de tecidos, a centralização dos stocks e a sua organização, assumindo internamente a gestão dos transportes, selecionando parceiros que garantem entregas rápidas e fiáveis».

No ano passado, a empresa teve o seu melhor ano de sempre e mantém o seu objetivo de chegar aos 100 milhões de euros de volume de negócios em 2027.