Riopele quer ser a fábrica da Europa

A empresa, que celebra 94 anos, está a concluir um plano de investimento de 35 milhões de euros para se posicionar como uma referência europeia na produção de têxteis. Tecnologia de ponta, incluindo inteligência artificial, e produtos sustentáveis fazem parte da estratégia.

José Alexandre Oliveira

A Riopele, que conta com 700 clientes ativos em mais de 30 países, definiu como meta para 2025 ter 80% dos seus produtos com uma base sustentável, um objetivo que considera ambicioso mas realista.

De acordo com José Alexandre Oliveira, presidente do conselho de administração da empresa, «a sustentabilidade não é uma moda na Riopele» mas antes «a forma de estar nos negócios desde a nossa fundação, em 1927».

Por esse motivo, na última década a empresa tem vindo a reforçar os investimentos em áreas críticas como eficiência energética, a reciclagem e reaproveitamento da água. «Estamos a atuar em várias áreas em simultâneo. Olhamos sempre para o tema da sustentabilidade numa perspetiva abrangente», destaca o presidente da Riopele, enumerando a redução em 13% das emissões de CO2 e em 16% do consumo energético, a que se soma a reciclagem da água, que já atinge uma percentagem de 55% atualmente. «A aposta é integral», garante.

Adicionalmente, até 2027 a empresa deverá reunir as condições para que «toda a energia elétrica utilizada no processo produtivo seja proveniente de fontes renováveis», indica.

Ao nível das matérias-primas, a Riopele tem vindo a apostar na produção de tecidos em poliéster reciclado, «uma matéria-prima sustentável, que assegura uma enorme poupança de água, não gera desperdício, apresenta uma excelente performance, é de fácil manutenção, preserva a cor e garante uma grande durabilidade», aponta José Alexandre Oliveira.

Além disso, a forte atividade de I&D da empresa tem gerado materiais mais amigos do ambiente, como é exemplo a Tenowa, que usa desperdícios da indústria têxtil e da indústria agroalimentar para fazer novos têxteis.

Crescer com sustentabilidade

No total, desde 2012 a Riopele investiu cerca de 35 milhões de euros para se tornar na fábrica da Europa. «Posicionamo-nos para nos assumirmos como a principal referência na Europa, investindo não só em tecnologia de ponta – automação e eficiência dos novos equipamentos, criação de uma plataforma digital, monitorização do chão de fábrica e implementação de um sistema de visão artificial nos teares – como otimizando processos e reforçando competências internas», sublinha José Alexandre Oliveira.

O número de colaboradores da empresa, que nos últimos oito anos apresentou resultados operacionais positivos, aumentou 23%, para 1.039 no final de 2020. Nas áreas técnicas, de investigação e desenvolvimento, logística, comercial e de sustentabilidade, destaca a empresa numa notícia publicada no seu website, a Riopele emprega já mais de 150 colaboradores, cerca de 18% do total, o que representa um crescimento superior a 20% desde 2010. Já o número de profissionais com curso superior ascende a 118, equivalente a mais de 10% do quadro de pessoal, evidenciando um aumento de 46% desde 2010.

«O nosso maior compromisso é com a comunidade. Somos orgulhosamente uma empresa portuguesa, que apoia a produção local, com uma rede de fornecedores estáveis e todos em conjunto, cumprimos as regras europeias, seja em matéria de ambiente ou de responsabilidade social. Bom seria que os nossos concorrentes obedecessem aos mesmo padrões e cumprissem as mesmas regras», conclui José Alexandre Oliveira.