Riopele prospera

No seu melhor ano de sempre, no qual deverá registar um volume de negócios de 97 milhões de euros, a Riopele tem vindo a crescer no negócio do vestuário de trabalho.

José Alexandre Oliveira

Segundo José Alexandre Oliveira, presidente da Riopele, «uma fatia importante do trabalho interno tem vindo a ser dedicada ao vestuário técnico e profissional», numa estratégia de diversificação de segmentos que tem ganho ainda mais impulso nos últimos anos – a empresa fez parte, por exemplo, do consórcio que desenvolveu o novo camuflado para o exército português.

«Importa diversificar para chegar a um número crescente de clientes», justifica José Alexandre Oliveira, que acrescenta que «a nossa área de produção de vestuário oferece um serviço especializado, que inclui design, produção de modelagem e amostras, fornecimento de tecidos e acabamentos, corte e costura, controlo de qualidade e entrega personalizada».

O core business da Riopele continua a ser a moda, até porque esta área tem uma forma diferente de trabalhar. «Enquanto o têxtil da moda é feito diariamente com a chegada de encomendas, o têxtil militar é um concurso público, ganhamos ou perdemos. Se ganharmos, fazemos a encomenda e, depois, temos de concorrer a outros», explica, ao Jornal Têxtil, José Alexandre Oliveira.

Embora esta área mais técnica – onde se inclui a área militar, mas também a área do têxtil para a indústria automóvel – tenha ainda uma pequena representação no cômputo geral, tem ganho importância e «está a crescer», aponta o presidente da empresa. «Já é alguma coisa. Não há uma desilusão na decisão do investimento nessas duas áreas. São áreas que estão a ser consideradas por nós em termos de futuro e que permitem, se por acaso houver algum arrefecimento na parte da moda, ter algo que equilibre a balança», sublinha.

Melhor ano de sempre

No geral, 2023 deverá ser o melhor ano de sempre da Riopele. «O nosso core business da moda, como cresceu muito, vai permitir-nos passar de uma faturação consolidada de 93 milhões de euros no ano passado para 97 milhões de euros este ano. Há um crescimento muito grande», realça José Alexandre Oliveira, que estima que o facto de grande parte dos clientes da empresa se situarem na gama média/alta está a ser uma mais-valia na atual conjuntura. «Não está a sofrer tanto como a gama mais baixa, por isso conseguimos atingir esses resultados», acredita.

Já 2024 deverá trazer desafios acrescidos. «Não digo que estou preocupado, mas estou mais cauteloso, porque sei que estou a viver num mundo que está cheio de inseguranças, de situações em que as pessoas cada vez têm menos dinheiro por causa da inflação e isso está a acontecer em quase todos os países», descreve o presidente da Riopele. «Em todos os mercados para onde exportamos, estamos a sentir isso: no Japão, na China, na Coreia do Sul, nos EUA, no Canadá… Todos esses países estão a sofrer. Não nos podemos esquecer que há duas guerras neste momento e as pessoas estão assustadas», acrescenta.

Ainda assim, José Alexandre Oliveira mantém o objetivo de crescimento traçado para o centenário da empresa, que se celebra em 2027, de chegar aos 100 milhões de euros de volume de negócios. «Para o ano, esperemos que seja 98 milhões de euros e depois seja 99 e depois sejam os 100 milhões de euros», conclui.