Riopele investe na poupança de água

A empresa têxtil, que anualmente já conseguiu reduzir o consumo de água no equivalente a 180 piscinas olímpicas, está a fazer novos investimentos para diminuir a utilização deste recurso e monitorizar os efluentes.

[©Riopele]

Em resposta às crescentes preocupações com as alterações climáticas e à intensificação das secas na Europa, a Riopele anunciou que está a implementar um conjunto de medidas para reduzir o consumo de água e promover a sustentabilidade. Nos últimos seis anos, a empresa recuperou, em média, 450 milhões de litros de água por ano, o que equivale a 180 piscinas olímpicas.

«A água está ligada à história da Riopele desde a sua origem. Em 1927 um jovem empreendedor José Dias de Oliveira fundou a Riopele com a instalação de dois teares para a produção de tecidos num moinho de água, situado na margem do rio Pele. A força da água do rio era a fonte de energia para acionar os teares», indica Paulo Machado, diretor do departamento de qualidade, ambiente e segurança da Riopele.

Reconhecendo a água como um recurso essencial e limitado, a Riopele tem investido em diversas estratégias para minimizar o impacto ambiental. Entre as principais ações, destaca a gestão e automação das captações de água, monitorização dos caudais e consumos, otimização de processos produtivos e substituição de produtos químicos para reduzir a carga poluente.

A empresa também reforçou a manutenção preventiva nas captações de água e identificou possíveis fugas, apostando ainda no reaproveitamento de águas pluviais, que totalizam cerca de 8 milhões de litros por ano. A aquisição de equipamentos mais eficientes e a implementação de sistemas de sensorização e monitorização online têm contribuído para uma redução significativa do consumo de água, com uma média de 12% ao ano nos últimos dois anos.

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Para tratar as águas residuais, a Riopele conta com uma Estação de Tratamento de Água (ETA) equipada com tecnologias avançadas que garantem a qualidade da água de processo, permitindo o seu retorno seguro ao ciclo da água. Em 2023, a empresa recuperou 52% da água utilizada nos processos produtivos em húmido, acumulando uma poupança de 2,5 milhões de euros desde o ano 2000.

Comprometida com a gestão responsável de efluentes, a Riopele aderiu voluntariamente às diretrizes da ZDHC Wastewater Guidelines, com o objetivo de identificar e eliminar produtos químicos perigosos. «2023 foi um ano de forte seca e, pela primeira vez, não utilizámos água da rede pública para o processo industrial, demonstrando o nosso compromisso com a gestão responsável da água», destaca Paulo Machado. « s exigências dos clientes e as alterações constantes na legislação e normas nacionais e internacionais que se podem traduzir por metas ambientais difíceis de alcançar, o aumento dos custos e taxas associadas ao consumo de água, as alterações restritivas à situação atual no que diz respeito à aplicação das Melhores Tecnologias Disponíveis (MTD), e o não cumprimento com os requisitos ao nível da qualidade para os processos industriais, são outros fatores de risco que estão bem presentes na gestão da empresa», acrescenta.

Atualmente, a Riopele está a preparar novos investimentos, incluindo uma nova linha de abastecimento de água para os processos produtivos, a aquisição de uma máquina de lavar mais eficiente para o departamento de ultimação – que poderá permitir uma redução de 30% no consumo de água face ao equipamento atual – e sensores para monitorizar a qualidade da água e efluentes.

Em curso está ainda a realização de um estudo de um projeto com diferentes tecnologias de tratamento de água que prevê o aumento da recuperação de efluente do processo produtivo, no âmbito do Projeto Lusitano, e o Projeto Giatex, cujo objetivo passa por desenvolver um conjunto de ferramentas que permita à empresa reduzir o consumo, assim como apoiar na decisão sobre o destino final a dar à água.