Riopele investe milhões em formação

A empresa, considerada como a mais atrativa para trabalhar no sector têxtil pelo Randstad Employer Brand Research, está a investir mais de 3 milhões de euros na qualificação dos seus quadros, prosseguindo ainda a estratégia de rejuvenescimento das equipas da Riopele.

José Alexandre Oliveira

De acordo com uma newsletter informativa da empresa, a Riopele está a investir 3,3 milhões de euros na formação dos seus quadros, no âmbito do programa de Capacitação dos Clusters de Competitividade.

Com este projeto autónomo de formação, enquadrado no Cluster Têxtil: Tecnologia e Moda, «a Riopele procura dar resposta à necessidade premente de apostar na qualificação dos seus quadros», atuando tanto a «nível operacional como organizacional», explica José Alexandre Oliveira.

O objetivo de mais este investimento é «adequar o nível de conhecimentos e competências dos seus ativos profissionais às novas necessidades tecnológicas, organizacionais e relacionais, ao mesmo tempo que promove a sua empregabilidade», sublinha o presidente da Riopele.

«Na última década, a Riopele implementou uma estratégia de rejuvenescimento das suas equipas, sendo hoje a idade média de 41 anos, o que lhe permitiu apostar no desenvolvimento das competências dos seus colaboradores, através do seu “Programa Horizontes”, que inclui o “Workshop Produto, Processo e Controlo”, dirigido a todos os seus trabalhadores, “Formação Executiva” e sessões de “Coaching” para os quadros e responsáveis das áreas e departamentos», acrescenta o administrador Bernardino Carneiro, numa entrevista publicada no website da Riopele. «O novo investimento de cerca de três milhões de euros visa reforçar o modelo competitivo da empresa, quer através da continuidade das ações formativas referidas e em curso, quer na identificação e seleção de novas ações formativas no âmbito digital e no da gestão departamental e de recursos», sublinha.

A formação, a par da digitalização, tem, de resto, permitido à empresa contornar a questão da escassez de mão de obra. «A empresa tem focado mais a sua atenção na gestão de recursos e na fusão de processos, eliminando atividades, digitalizando processos e selecionando pessoas cujo portefólio de competências individuais permitam reorientar para atividades mais qualificadas, incentivando-as para a reconversão profissional e ou de carreira. Por outro lado, para as funções de operador, a empresa procura contratar pessoas indiferenciadas, as quais são integradas em programas de formação acelerada no posto de trabalho com resultados muito interessantes, quer para os trabalhadores, quer para a empresa», justifica Bernardino Carneiro.

Atrativa para trabalhar

Na última década, indica a empresa, o número de colaboradores da Riopele aumentou mais de 20%, para 1.083. Em média em 2021, 63% dos colaboradores eram homens e 37% mulheres, com 42% dos cargos de liderança a serem assegurados por profissionais do sexo feminino.

A paridade de sexos, de resto, não é uma verdadeira preocupação, confessa Bernardino Carneiro. «Nunca me revi nesta problemática», assume o administrador. «Aposto sempre na escolha do mais competente ou adequado à função, independentemente de ser homem ou mulher. Recordo-me, aliás, que quebrei o paradigma que existia na empresa de não serem admitidas mulheres para a área de contabilidade. O que me motiva são os resultados e, assim, tentar que os locais de trabalho sejam um reflexo da composição da sociedade será um bom indicador de racionalidade», acrescenta.

Bernardino Carneiro [©Riopele]
Em média, os colaboradores da Riopele permanecem 13 anos na empresa, um prazo prolongado a que não será indiferente o facto da empresa ter sido considerada a mais atrativa para trabalhar no sector têxtil em Portugal no Randstad Employer Brand Research.

O ranking resulta de um inquérito feito a uma amostra representativa da população portuguesa sobre os 150 maiores empregadores nacionais, identificando em que critérios as empresas são melhor percecionadas e quais os sectores mais apelativos para trabalhar

Na fileira da indústria da moda, a Riopele surge no terceiro lugar, sendo apenas suplantada pelas empresas de calçado Gabor e Ecco, ambas de capital estrangeiro (Alemanha e Dinamarca, respetivamente).

«Um aspeto relevante sobre este estudo é que o mesmo está direcionado para a população em geral, a nível nacional, assim, é natural que as empresas que trabalham diretamente para o consumidor final, na lógica do B2C, sejam mais conhecidas do público geral, do que empresas que produzem para outras marcas, B2B, como é o caso do negócio da Riopele. Esta distinção revela que a Riopele, mesmo em período de grande exigência ao nível da contratação, continua a ser uma empresa atrativa para trabalhar. É reconhecida com uma empresa sólida, inovadora e que aposta no desenvolvimento das pessoas», aponta Cláudia Queirós, responsável de recursos humanos da Riopele, adiantando que, além da formação, «iremos desenvolver novas estratégias na área de saúde e bem-estar para que a Riopele possa ser considerada uma empresa cada vez mais saudável».

Também no Consumer Guidance Institute Portugal (CGIP), que se debruçou sobre a temática da atratividade e retenção de profissionais de excelência, a Riopele recebeu «uma classificação muito boa, no valor de 4 estrelas, no estudo melhores empregadores 2022», indica a empresa.

A aposta nos recursos humanos será, de resto, «determinante para que possamos atingir a meta ambiciosa de 80% dos produtos da Riopele apresentarem uma base sustentável até 2025», conclui José Alexandre Oliveira.