Revolução na ITV chinesa – Parte 1

A indústria têxtil chinesa tem mostrado sinais de abrandamento. De acordo com as estatísticas apresentadas no final de Outubro pela Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (CNDR), as exportações de têxteis e vestuário da China cifraram-se nos 111,73 mil milhões de dólares nos primeiros oito meses deste ano. Este valor representa um aumento de 19,46%, em variação anual, mas evidencia um decréscimo de 5,21 pontos percentuais em relação à taxa de crescimento registada ao longo do mesmo período no ano passado. A análise efectuada pelo Conselho Nacional Chinês para os Têxteis e Vestuário (CNCTV) constatou que a desaceleração surgiu principalmente da diminuição nos volumes de exportação. Ao longo dos primeiros oito meses de 2007, o volume de exportações cresceu 11%, 4 pontos percentuais abaixo do ano passado. Segundo Du Yuzhou, presidente da CNCTV, a indústria chinesa está a atravessar uma fase de transição, passando de um período de elevado crescimento, após a adesão à Organização Mundial de Comércio (OMC), para um período de crescimento normal. Três factores a considerar Segundo Du Yuzhou, a indústria tem sido fortemente influenciada por três factores: a subida do yuan renminbi, o ajustamento das políticas de benefícios fiscais e o atrito no comércio internacional. De Janeiro a Agosto, a moeda chinesa apreciou 3,16% em relação ao dólar norte-americano. As estatísticas do CNCTV indicam que, quando o renminbi aprecia 1%, os lucros das empresas de tecidos de algodão, lanifícios e vestuário diminuem 3,19%, 2,27% e 6,18%, respectivamente. A subida do renminbi causou à indústria a perda de 30,6 mil milhões de yuan (4,08 mil milhões de dólares) nos primeiros oito meses do ano. Este ano, o banco central da China aumentou cinco vezes as taxas de juros para os depósitos a prazo e os empréstimos, o que significa que as empresas têxteis tiveram de pagar um custo adicional de 8,9 mil milhões de yuan (1,19 mil milhões de dólares) em juros. Desde o dia 1 de Julho deste ano, o governo chinês diminuiu a taxa de desconto do imposto aplicado sobre o vestuário, assim como sobre as fibras de viscose e produtos afins para os 11 e os 5%, respectivamente. Em 23 de Julho, o Ministério do Comércio da China e a Administração Geral das Alfândegas anunciaram, em conjunto, uma nova lista de restrições à exportação de diversos produtos. Os exportadores de produtos incluídos nesta lista devem pagar o montante total de um depósito de garantia de exportação. Existem 1.539 produtos têxteis incluídos na lista, que representam 83% do total. O sistema de quotas da União Europeia (UE) aplicado sobre determinadas categorias de têxteis e vestuário chineses vai ser anulado no dia 1 de Janeiro de 2008. Segundo um acordo estabelecido entre a China e a UE, as duas partes vão adoptar um sistema de dupla verificação. A Câmara de Comércio Chinesa para a Importação e Exportação de Produtos Têxteis, o CNCTV e a Associação de Empresas Chinesa com Investimento Estrangeiro, divulgaram em conjunto as normas de qualificação para as empresas têxteis e de vestuário exportarem para o mercado europeu, no âmbito do novo regime. As normas incluem seis indicadores, segundo os quais cerca de 6.000 empresas estão habilitadas a exportar têxteis e vestuário para o mercado único europeu. Anteriormente, mais de 10.000 empresas estavam habilitadas a exportar para a UE. Estas restrições vão conduzir ao contínuo declínio no crescimento das exportações de têxteis e de vestuário. Na opinião de Du Yuzhou, esta diminuição será de 10 a 15% no crescimento, em relação à anterior taxa média anual de mais de 20%.