Revenda de fast fashion faz pouco para reduzir CO2

Um novo estudo revela que os programas de venda de artigos usados por parte de retalhistas de fast fashion como a Zara, a Shein ou a H&M têm pouco impacto na redução das respetivas pegadas de carbono.

Re:Ware H&M [©H&M]

O estudo da Trove, especialista em vendas em segunda-mão, e da Worldly, conhecida por ter lançado o Higg Index, foi revisto por entidades terceiras como a Deloitte, a McKinsey e a Universidade da Califórnia, Berkeley, e concluiu que as marcas podem reduzir de forma mais eficaz o seu impacto se redirecionarem os seus esforços para a cadeia de aprovisionamento, utilizando materiais mais sustentáveis ou investindo na área da reciclagem.

O documento, que analisou cinco tipos de marcas e retalhistas, da fast fashion à moda de gama alta, aponta que as retalhistas de fast fashion, que geram cerca de 11,5 quilos de dióxido de carbono por cada artigo produzido, apenas conseguem reduzir as suas emissões em 0,7% com programas de vendas de peças usadas.

No caso das marcas de gama mais alta, como a Ralph Lauren, que geram cerca de 16 quilos de CO2 por cada artigo produzido, essa redução é de 14,8%, enquanto nas marcas de outdoor, como a Patagonia e a The North Face, que geram 12,5 quilos de CO2 por artigo, as emissões podem ser reduzidas em 15,8% com programas de revenda, indica o estudo.

Em resumo, o estudo Where Are Circular Models Effective Sustainability Strategies for Fashion Brands? sublinha que a revenda é uma estratégia de descarbonização significativa para as marcas premium e de outdoor, adiantando que «em 2040, as iniciativas de revenda têm o potencial de baixar as emissões anuais de carbono destas marcas em 15% a 16%», mas que este método é pouco eficaz para as marcas de fast fashion. «As marcas de massa, especificamente a fast fashion e aquelas que têm preços de base mais baixos, enfrentam desafios no espaço das vendas em segunda-mão. Os modelos mostram que os produtos de preços mais baixos não mantêm o valor no mercado de revenda», destaca o estudo, que acrescenta que «substituir a nova produção e o volume de negócios com produtos de revenda com pegadas de carbono mais baixas é menos atingível neste espaço».

À CNBC, Andy Ruben, fundador da Trove e um dos autores do documento, considera que os programas de venda em segunda-mão por parte das retalhistas de fast fashion não são suficientes para aumentar a sustentabilidade deste tipo de produto. «É um esforço errado. O que eles estão a fazer basicamente é a movimentar artigos que não têm valor nenhum, o que é um programa de marketing», afirmou.

Ao mesmo meio de comunicação, um porta-voz da H&M – que tem o programa Re:Ware – indicou que a retalhista concorda com o estudo, motivo pelo qual está «a trabalhar em diferentes níveis» para reduzir o seu impacto nas emissões de carbono. «Estamos a trabalhar na descarbonização da nossa cadeia de aprovisionamento e das operações de logística reforçando a disponibilidade e utilização de energia renovável e financiando a inovação e a distribuição da tecnologia necessária», destacou o porta-voz.

Já a Shein, através de um porta-voz, sublinhou que está a escalar o modelo de negócio sob encomenda, «o que nos permite atingir taxas médias de inventário não vendido de um único dígito, reduzindo dramaticamente o desperdício, e a investir em criar sistemas circulares e acelerar soluções sustentáveis através de materiais, tecnologias e processos de produção focados na sustentabilidade».

Para Gayle Tait, CEO da Trove, «o que a pesquisa mostra é que as marcas têm de demonstrar investimentos significativos para mudarem o seu modelo. Quando andam á volta, fazendo um site direcionado para vendas entre consumidores ou a trabalharem de perto com um marketplace, não estão na verdade a mudarem o seu modelo. Continuam a fazer as coisas que geram as suas emissões de carbono».