Retalho russo em queda

As vendas a retalho no mercado russo caíram de forma acentuada durante o passado mês de Julho, tendo sido mesmo a maior queda verificada nos últimos 10 anos. A pressionar em baixo os gastos dos consumidores russos, pelo sexto mês consecutivo, esteve a queda dos rendimentos dos agregados familiares que desta forma tiveram que proceder a cortes nos seus gastos e na sua capacidade de endividamento. As vendas decresceram, assim, 8,2%, comparativamente ao ano anterior, após uma queda de 6,5% registada durante o mês de Junho, anunciou o Serviço Federal de Estatísticas russo em comunicado. Estes resultados negativos vão além das quedas estimadas por economistas e analistas deste mercado. «A procura, por parte dos consumidores, permaneceu fraca e não se vislumbra qualquer tipo de sinal positivo que contrarie esta situação de quedas consecutivas, comentou Andrew Howell, analista de estratégia e de mercados do escritório Nova-Iorquino do Citigroup. As vendas a retalho começaram a deslizar em Fevereiro deste ano, pela primeira vez desde Setembro de 2009. Com um rublo fraco, cortes salariais e uma taxa de desemprego crescente, os russos viram-se obrigados a cortar no consumo num mercado que parecia, até essa altura, ter entrado numa espiral de forte crescimento. Os esforços realizados pelo Banco Central russo, com cinco revisões consecutivas em baixa da taxa de juro, parecem não ter sido suficientes para animar a economia. Apesar destas reduções das taxas, os bancos apertaram os critérios de concessão de crédito com receios quanto ao grau de endividamento das famílias e das empresas e quanto à sua capacidade de cumprir integralmente os compromissos com as entidades financeiras. O crédito ao consumo decresceu, assim, 1.1% em Junho, o quinto mês de declínio consecutivo. O Produto Interno Bruto (PIB) contraiu também um valor recorde no segundo trimestre após um primeiro trimestre também de recessão. Os valores negativos, que acabaram com um ciclo de 10 anos de expansão económica, 7% de média anual positiva, foram de 10,9% e de 9,8% respectivamente. Os Russos responderam a esta crise económica com um aumento do nível de poupança, colocando “de lado” 17% dos seus rendimentos no segundo trimestre do ano, contra 8,7% no primeiro trimestre. A taxa de desemprego russa manteve-se inalterada nos 8,3%, tendo o valor médio de rendimento decrescido 5,8%. O investimento contraiu 18,9%, com uma diminuição da produção industrial em torno dos 10,8%. Face a este panorama macroeconómico, estima-se que um terço dos 42.000 retalhistas de moda russos feche as suas portas até final do ano. Esta situação está a ter reflexos na Indústria Têxtil e do Vestuário europeia, nomeadamente na alemã, que tinha na Rússia um dos seus principais mercados de expansão.