Retalho em maus lençóis

As vendas a retalho em Espanha sofreram a sua segunda maior quebra de sempre em Março, com o aumento do desemprego e a desvalorização do imobiliário a assustar os compradores. Estando a enfrentar a pior recessão desde os anos 30, os espanhóis cortaram nas compras de vestuário e artigos de consumo mais caros, fazendo com que as vendas a retalho tenham diminuído 8,2% em Março – o 16.º declínio mensal consecutivo, embora tenha sido inferior às previsões de quebra de 9,9% e menor do que o recorde de 9,1% em Fevereiro. Alguns analistas afirmam que a diminuição das vendas no retalho pode ser mitigada, já que a redução das taxas de juro e a diminuição dos custos com a energia irão aumentar o rendimento disponível em 40 milhões de euros, de acordo com as estimativas do governo. Parece que as coisas estão a começar a estabilizar para uma recessão convencional», considera Nicolas Lopez da M&G Valores. Outros afirmam que é ainda demasiado cedo para falar de recuperação, tendo em conta que o desemprego está a subir mais rapidamente em Espanha do que em qualquer outro país desenvolvido e deverá atingir os 20% este ano. Começa a haver comparações mais favoráveis porque estamos em declínio há mais de um ano, mas uma quebra de 8% não é certamente pequena», afirma o analista Luca Solca da Bernstein, em Londres. A leitura dos dados tem, contudo, de ser feita tendo em conta algumas premissas, como o facto da Páscoa este ano ter sido em Abril, em vez de Março, o que significa que houve mais pessoas em férias em Março do ano passado e mais compradores. A Espanha tem sido atingida tanto pela crise financeira global como pelo colapso do sector imobiliário, forçando os retalhistas a oferecer grandes descontos para atrair os consumidores. Marcas de vestuário espanholas como a Zara lançaram uma guerra de preços, com a flagship da maior retalhista de moda europeia a oferecer uma nova etiqueta, baptizada Special Price. Cadeias como a Cortefiel estão a oferecer descontos de 40%, apesar dos saldos de Verão começarem tradicionalmente apenas em Julho e o El Corte Inglés, o maior retalhista espanhol, está a oferecer empréstimos com 0% de juros para a compra de artigos como sofás e televisões. Os dados de Março mostram ainda que as vendas de vestuário e calçado caíram 6,9% em comparação com igual período do ano passado, enquanto que os artigos ligados à casa caíram 18,8%, aumentando os riscos de Espanha entrar num ciclo deflacionário mais para o final do ano.