Retalho de vestuário reduz uso de plástico

Um novo estudo enaltece os esforços dos retalhistas de vestuário para prevenir a poluição causada pelo plástico ao diminuírem as embalagens neste material. Contudo, o relatório conclui também que as empresas devem ter metas de redução mais «ambiciosas» e tomar medidas mais «ousadas».

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Segundo o relatório “’Global Commitment 2020 Progress Report” no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Ambiente (UNEP na sigla original), com a New Plastics Academy e a Ellen Macarthur Foundation, houve um avanço significativo em duas áreas-chave: a incorporação de conteúdo reciclado nas embalagens de plástico e a supressão dos elementos problemáticos mais comumente identificados, como embalagens de PS e PVC, pigmentos pretos de carbono indetetáveis e sacos de plástico descartáveis.

O progresso na mudança para embalagens reutilizáveis é, no entanto, limitado e os esforços de eliminação continuam focados num conjunto relativamente reduzido de materiais e formatos.

Existem também diferenças significativas no que diz respeito à taxa de progresso entre os signatários – enquanto uns deram grandes passos em frente, outros mostraram poucos ou nenhuns avanços nas metas quantitativas, noticia o just-style.

Lançado em outubro de 2018, o “New Plastics Economy Global Commitment” reúne, atualmente, mais de 500 organizações com uma visão comum de uma economia circular para os plásticos, em que estes nunca se transformam em resíduos.

Avanços práticos

Especificamente no sector do vestuário, calçado e acessórios, foram várias as marcas de moda que, em 2019, mostraram estar a tomar medidas para remover a utilização de sacos plásticos descartáveis, embalagens de expedição e também cruzetas, substituindo estas opções por alternativas em papel ou cartão.

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Exemplo disso é a Asos, que removeu 70 mil cruzetas de plástico e 20 mil etiquetas do design da marca, assim como os colarinhos de plástico usados para o vestuário formal. A empresa pretende ainda, até ao final do ano, eliminar as almofadas de PEBD dentro das bolsas e mochilas, os moldes de plástico para manter a forma nos chapéus e os sacos de plástico para botões suplentes.

Com o mesmo objetivo, o grupo H&M testou novas alternativas para eliminar o uso de plástico, que pretende cumprir até, ou mesmo antes, de 2025. Entre elas está o uso de papel em vez de plástico para o envio dos artigos pedidos online.

Também a Inditex retirou os sacos plásticos exteriores, que protegiam as caixas de cartão dos pedidos online da Zara Home, e vai adotar o mesmo procedimento em todas as marcas do grupo até ao final do ano. Já o EPS será retirado até 2023.

O relatório destaca ainda progressos perante os modelos de reutilização. Algumas empresas estavam a trabalhar em sistemas de cabides reutilizáveis ou soluções de teste para a substituição dos sacos de polietileno nas cadeias de aprovisionamento e nas embalagens do comércio eletrónico.

A Asos está a planear uma experiência para dois mil sacos reutilizáveis nas vendas on-line em 2020. A retalhista calculou que, em cada 100 pedidos atendidos com embalagens reutilizáveis, serão poupados 2,65 kg de embalagens e ainda 29 kg de CO2. Se o projeto for implementado no Reino Unido, serão economizadas anualmente 730 toneladas de plástico.

A Inditex optou por cabides reutilizáveis em todas as lojas Zara a nível mundial como parte da iniciativa “’Single hanger”, em que as mesmas cruzetas são utilizadas para transportar o vestuário dos fornecedores para as lojas e, posteriormente, para exposição.

Maior reconhecimento

Na prática, o relatório conclui que 7% das embalagens dos signatários são recicláveis.

Em destaque encontra-se a Inditex, que está a cooperar com os fornecedores para melhorar a rastreabilidade e assegurar que a embalagem é, efetivamente, reciclável. A retalhista está a trabalhar em canais de reciclagem e reutilização nas fábricas, na sede, nos centros de logística e nas lojas. Em 2019, 893 toneladas de plástico nestes canais foram enviados para reciclagem, apontam os autores do estudo.

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Já a Superdry fez com que as bolsas de polietileno fossem retiradas dos centros de distribuição, para que possam ser recolhidas e devolvidas aos fabricantes para reciclagem.

Durante os últimos meses, foram implementadas muitas iniciativas neste sentido, que visam dispensar o uso do plástico nas embalagens e um maior reconhecimento da necessidade de serem criadas alternativas mais ecológicas.

Recentemente, a Mango comprometeu-se a eliminar o uso de 160 milhões de sacos plásticos por ano na respetiva cadeia de aprovisionamento, enquanto a Outerknown anunciou que vai optar por sacos de papel.

Aceleração significativa

Num panorama geral relativamente aos avanços feitos pelas empresas em 2019, o conteúdo das embalagens cresceu 22% face ao ano anterior, o que acaba por ser «encorajador» no cumprimento das metas estipuladas para 2025. 31% dos produtos embalados e signatários de retalho, 18% no total, têm agora metas delineadas para a redução do plástico ou a eliminação do mesmo e 37% pretendem ainda adotar estas medidas.

São cada vez mais as empresas que estão a testar modelos de reutilização e mais os signatários que estão a eliminar materiais normalmente identificados como problemáticos ou desnecessários – PS, PVC, PVDC, carbono negro indetetável e sacos de plástico descartáveis. Prova também do progresso realizado é o aumento da transparência e da medição do uso de plásticos e os investimentos significativos efetuados para o compromisso global de modo a atingir as metas para 2025.

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Não obstante, a coligação refere que, embora os progressos feitos no primeiro ano de assinatura do pacto possam ser encorajadores, será preciso uma aceleração significativa dos avanços para concretizar os objetivos.

Com este propósito, a aliança advoga que as empresas devem adotar ações mais ousados e definir metas de redução mais ambiciosas.

«Este relatório mostra um progresso encorajador em direção à visão de uma economia circular para o plástico em algumas áreas, especialmente no uso de plástico reciclado. Mas, daqui para frente, será crucial ver também grandes passos para repensar que embalagens são colocadas no mercado em primeiro lugar», afirma Sander Defruyt, novo líder da economia de plásticos da Ellen MacArthur Foundation.

«Pedimos que a indústria aumente rapidamente os esforços para reduzir as embalagens de uso único e eliminar os tipos de embalagens que não têm um caminho confiável para fazer a reciclagem funcionar na prática e em escala. Sabemos que a indústria não pode impulsionar a mudança sozinha e estamos a pedir aos legisladores para colocarem em prática condições favoráveis, incentivos e uma estrutura internacional para acelerar esta transição», conclui Sander Defruyt.